Amir Nabizadeh/EFE/EPA
Amir Nabizadeh/EFE/EPA

Com disparada de casos de covid-19, a Suécia repensa sua resposta

País permaneceu aberto aberto durante a pandemia, mas a segunda onda trouxe um novo surto de infecções e os serviços de emergência de Estocolmo estão sobrecarregados

Thomas Erdbrink e Christina Anderson, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2020 | 15h00

Desde o início da pandemia, um debate tem ocorrido dentro e fora da Suécia: como conter o vírus. Enquanto outros países entraram em confinamento na primavera do hemisfério norte, a Suécia permaneceu aberta, movida pela preocupação de que trancar todos em casa teria efeitos prejudiciais de longo prazo para crianças e adultos e poderia levar à depressão, suicídio, adiamento dos cuidados de saúde e perda de empregos.

Agora, uma segunda onda trouxe um novo surto de infecções e os serviços de emergência de Estocolmo estão sobrecarregados, forçando as autoridades a mudar sua abordagem. Os suecos impuseram novas restrições no final de novembro que trazem a resposta do país um pouco mais em linha com o resto da Europa: cortes drásticos no tamanho das reuniões públicas e fechamentos de escolas e comércio.

Mas com teleféricos, restaurantes e bares permanecendo abertos, as restrições mais duras da Suécia ainda são pálidas em comparação com o resto da Europa e há preocupações crescentes de que não está sendo feito o suficiente.

Na segunda-feira, o primeiro-ministro sueco, Stefan Lofven, disse que os especialistas do país subestimaram a probabilidade de uma segunda onda. Na terça-feira, 15, uma comissão especial concluiu em um relatório inicial que o governo falhou em proteger os idosos e não estava preparado para a pandemia. Durante a primeira onda, as mortes foram altas, especialmente entre aqueles em grupos de idade mais avançada.

Desde outubro, o número de infecções e mortes têm aumentado continuamente. Até terça-feira, o país atingiu um total de 320.098 casos desde o início da pandemia e seu número de mortos chegou a 7.667. O país agora tem 74 mortes por 100 mil casos, menos que o Reino Unido, com 97, mas muito mais que sua vizinha Noruega, com sete.

“Eu esperava que essa situação grave mudasse as coisas, mas ontem eles abriram os teleféricos de esqui na Suécia”, disse Fredrik Elgh, professor de virologia clínica da Universidade de Umea.

O governo de Lovfen só pode pedir, não ordenar, que as pessoas sigam as recomendações. Segundo a lei sueca, o governo não tem permissão para forçar as pessoas a ficarem em casa ou multar aqueles que as desprezam. E as máscaras não são recomendadas porque a Autoridade de Saúde Pública afirma que não há evidências científicas suficientes de que funcionam.

“Somos a única democracia do mundo que não recomenda o uso de máscaras faciais. Existem mais de 170 países no mundo que recomendam o uso de máscaras. Mas aqui eles estão dizendo que não há ciência suficiente por trás disso. Isso é um absurdo ”, disse Elgh.

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