Efe/Divulgação
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Com economia em crise, Maduro vai à China em busca de novos acordos

Visita é primeira etapa de viagem que tem como objetivo novas linhas de crédito para a Venezuela, afetada pela queda do petróleo

O Estado de S. Paulo

05 de janeiro de 2015 | 16h49


 CARACAS - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, chega nesta segunda-feira. 5, à China, primeira etapa de uma viagem internacional que tem como objetivo conseguir novas linhas de crédito para o país, severamente afetado pela queda do preço do petróleo, e pressionar países exportadores pelo fim da desvalorização da commodity. 

Antes de embarcar, Maduro disse em discurso transmitido pela TV Estatal que a queda do petróleo de mais de US$ 50obrigou o país a revisar os planos de investimento. O barril venezuelano, que fechou 2014 com uma média de preço próxima dos US$ 88, valia hoje US$ 47. 

“Será uma viagem muito importante para dar início a novos projetos”, dadas as circunstâncias provocadas no nosso país pela queda no preço do petróleo”, disse Maduro antes de embarcar. 

Na China, a chancelaria se disse esperançosa de que a visita fortalecerá a relação bilateral. “Temos certeza de que a viagem vai favorecer a cooperação entre China e Venezuela e fortalecer os laços entre os nossos países”, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores Zhu Qingqiao.

Pequim já emprestou mais de US$ 40 bilhões em troca de fornecimento de petróleo para Caracas nos últimos cinco anos e é o principal financiador do governo chavista. Ao lado dos Estados Unidos, a China é a principal compradora da produção diária venezuelana, em torno de 2,5 milhões de barris. 

Analistas acreditam que os chineses estão divididos entre a necessidade de reafirmar a aliança com Caracas e a relutância em emprestar mais dinheiro. No ano passado, a China facilitou as condições de pagamento de empréstimos já existentes. 

“Os chineses tem aberto a carteira já há algum tempo. Será interessante ver como reagirão se Maduro pedir mais dinheiro”, disse Evan Ellis, professor de estudos latino-americanos o Instituto de Estudos Estratégicos da Escola de Guerra do Exército Americano. “E a Venezuela realmente está precisando de dinheiro.”

Vítima de uma falta crônica de reserva em moeda estrangeira desde o fim de 2012, a Venezuela viu seu cenário macroeconômico piorar nos últimos meses com a queda do petróleo. Analistas acreditam que o governo precisará adotar medidas impopulares, como a desvalorização do câmbio, o corte de gastos, aumento de impostos, tarifas e dos combustíveis, mas os chavistas têm hesitado em tomar qualquer medida impopular. /  EFE  e AP

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