AFP Photo/Fabrice Coffrini
AFP Photo/Fabrice Coffrini

Com equipe unida, Coreias fecham acordo final para Jogos Olímpicos

Norte e Sul entrarão juntos na abertura do evento e Pyongyang enviará 22 atletas

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S.Paulo

20 Janeiro 2018 | 12h42

LAUSANNE - Num acordo considerado histórico, o Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou neste sábado, 20, que Coreia do Norte e Coreia do Sul desfilarão unidas na abertura dos Jogos de Inverno de Pyeongchang, em fevereiro, e que Pyongyang enviará ao evento 22 atletas.

A aproximação, que começou há poucas semanas, resultou em um acordo definitivo neste fim de semana na sede do COI, na Suíça. De acordo com Thomas Bach, presidente da entidade, os dois países entrarão juntos no estádio olímpico, naquele que deve ser o ponto mais significativo do evento sediado pela Coreia do Sul a partir de 9 de fevereiro.

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Os dois países já tinham entrado em um acordo para competir sob uma mesma bandeira. No desfile, usarão apenas o nome "Coreia" e um atleta de cada lado empunhará a bandeira com um mapa unificado.

"Hoje é um grande dia, em que o espírito olímpico uniu duas partes", disse Bach em uma coletiva de imprensa com os dois governos e na qual perguntas foram proibidas.

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No total, os norte-coreanos competirão com 22 atletas. Bach indicou que haverá um só time de hóquei feminino, com jogadores de ambos os lados da fronteira. O treinador será do Sul. Mas ele tem a obrigação de escalar para cada jogo pelo menos três atletas do Norte. 

A Coreia do Norte ainda participará de competições de esqui, com três atletas, e de patinação, com a dupla Ryom Tae-ok e Kim Ju Sik. Também foram abertas vagas para outras modalidades na patinação. Também viajarão ao sul 24 treinadores norte-coreanos e 21 jornalistas, todos eles escolhidos pelo regime de Pyongyang. 

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Uma delegação de artistas norte-coreanos também será enviada para eventos culturais. Sob um forte regime de sanções, os norte-coreanos contarão com todo material esportivo enviado pelo COI. 

Política

Essa não será a primeira vez que os dois países competirão juntos, mas a iniciativa não ocorria desde 1991. Desta vez, a declaração é de especial importância política, depois de um dos períodos de maior tensão entre o regime e os aliados do Sul, principalmente Estados Unidos e Japão. 

Em Seul, porém, a aproximação esportiva com o Norte tem causado danos para a popularidade do presidente Moon Jae-in, principalmente na ala mais conservadora. Seus críticos o acusam de estar "rifando" o espírito olímpico, em nome de atalhos diplomáticos. 

A desconfiança está baseada no fato de que, há pouco mais de um mês, eram ameaças de enviar mísseis que dominavam a agenda. Agora, são patinadores. 

"Estamos transformando os Jogos de Pyeongchang nos Jogos de Pyongyang", acusou nesta semana Hong Joon-pyo, líder do principal grupo de oposição. 

A aposta do governo, porém, é de que um desfile comum entre os dois lados da fronteira, com imagens difundidas por todo o mundo, poderá dar início a um debate mais positivo em outros assuntos mais delicados, como o dossiê nuclear. 

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