REUTERS/Maria Alejandra Cardona/File Photo
REUTERS/Maria Alejandra Cardona/File Photo

Com Estados atingindo recordes diários, EUA chegam a 4 milhões de casos de coronavírus

Hospitalizações e mortes diárias relatadas também têm aumentado; 39 Estados têm tendência de alta nos casos

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2020 | 13h30
Atualizado 27 de julho de 2020 | 13h24

WASHINGTON - Os Estados Unidos chegaram nesta quinta-feira, 23, à marca de 4 milhões de casos de covid-19. Autoridades estaduais, que vêm registrando mais de 65 mil novas infecções por dia, se preocupam agora com o número de mortes, que também começa a aumentar – foram novamente mais de mil óbitos hoje. Os Estados mais afetados estão no Golfo do México: Flórida, Texas, Alabama, Louisiana e Mississippi

Desde que a quantidade diária de novos casos de covid-19 começou a subir, em meados de junho, o presidente americano, Donald Trump, e seus aliados republicanos vinham citando o número de mortos, que se mantinha estável, para alegar que a pandemia estava sob controle. 

Especialistas diziam que a ampliação da testagem, que passou a identificar o vírus em jovens e pessoas assintomáticas – grupos que não correm tanto risco –, poderia ser responsável pela curva de mortes não acompanhar a de novos casos, mas era preciso aguardar pelo menos um mês para determinar se haveria correlação entre as duas coisas. 

Nesta quinta-feira, a Flórida teve 173 mortos em 24 horas – um recorde para o Estado. Alabama e Mississippi também registram as taxas mais altas de óbitos desde o início da pandemia no país. No Texas, a média diária é de 10 mil infectados. E Louisiana ultrapassou Nova York como o Estado mais infectado per capita dos EUA, com 22 mil casos por milhão de habitante.

Um levantamento do jornal New York Times indica tendência de alta nas contaminações em 39 dos 50 Estados americanos. Até o momento, os EUA têm pouco mais de 143 mil mortes – cerca de 22% do total no mundo, de acordo com a Universidade Johns Hopkins. Na quarta-feira, 59,6 mil pessoas estavam sendo tratadas em hospitais, de acordo com o Covid Tracking Project, número bem próximo do pico atingido em abril, de 59,9 mil.

Outra preocupação é a taxa de internações, que também não para de crescer. Especialistas dizem que dados detalhados sobre onde as pessoas estão hospitalizadas são cruciais para entender a epidemia, mas as autoridades federais não tornaram esses dados públicos.

O New York Times reuniu informações de quase 50 áreas metropolitanas, incluindo 15 das 20 maiores cidades, obtidas com os departamentos de saúde estaduais e locais, para fornecer a primeira visão nacional detalhada de onde as pessoas estão gravemente doentes.

Os dados mostram uma crise de longo alcance. As áreas mais afetadas agora, no Texas e na Flórida, já atingiram os mesmos picos de hospitalizações que Nova York, New Orleans, Chicago e outras cidades alcançaram há alguns meses. Apenas 15% dos leitos de UTI estão disponíveis no Estado. As regiões de Las Vegas, Nashville e Tulsa pioraram muito nas últimas duas semanas. 

Os epidemiologistas se preocupam também com a taxa de positividade – o porcentual de testes feitos que dão resultado positivo. Estima-se que 5% seja o limite para reabrir com segurança as atividades econômicas. Em alguns Estados americanos, como no Arizona, um de cada quatro exames dá positivo. Na Flórida, a taxa de positividade está acima de 18%. 

No início da pandemia, as contaminações se concentravam em Nova York, que hoje tem uma taxa de positividade de 1%. Por isso, especialistas dizem que a escala da crise está dispersa e mais difícil de entender. “Existe um cansaço pandêmico”, afirmou Thomas Tsai, professor da Universidade Harvard. “Todos os olhos estavam em Nova York. Agora, Houston é Nova York. Miami é Nova York. Phoenix é Nova York. Precisamos compartilhar essa urgência coletiva.”

Trump garante que a testagem em massa explica o aumento nos casos, mas a elevação recente do número de infecções ultrapassa em muito a expansão dos testes. Depois de avisar que o vírus “vai piorar, antes de melhorar”, na quarta-feira, Trump voltou a dizer ontem que os testes foram “superestimados” e “fazem o governo parecer ruim”. Ele acusou os democratas de explorar a pandemia politicamente.

A reclamação de Trump parecia uma referência ao vídeo de 15 minutos lançado hoje pela campanha do democrata Joe Biden, em que ele aparece frente a frente com o ex-presidente Barack Obama – sentados, mas mantendo uma distância de mais de 2 metros. Os dois criticaram a maneira como Trump lida com a pandemia. 

“Você se imagina como presidente dizendo (que o vírus) ‘não é minha responsabilidade?’”, questionou Biden, referindo-se aos esforços de Trump para se eximir de culpa. “Estas palavras não sairiam de nossas bocas quando estávamos no cargo”, respondeu Obama.

Alerta

Segundo dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), o número de pessoas infectadas com o coronavírus em diferentes partes dos EUA pode ser até 13 vezes maior do que as taxas relatadas oficialmente. Os resultados sugerem que uma grande quantidade de americanos que não apresentaram sintomas ou não procuraram atendimento médico pode ter mantido o vírus circulando no país. / W. Post e NYT



 

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