Com fissuras na oposição, Capriles evita falar de nova presidencial

Candidato derrotado por Chávez em outubro vota em bairro nobre de Caracas; seus eleitores denunciam perseguição

CARACAS, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2012 | 02h03

Ao votar ontem em uma escola do arborizado bairro de Las Mercedes, onde vive em Caracas, o candidato ao governo do Estado de Miranda Henrique Capriles preferiu tirar o peso da disputa local sobre seu nome, diante de uma nova eleição nacional - convocada em 30 dias caso Hugo Chávez não possa tomar posse em 10 de janeiro. Ele foi derrotado em outubro, em eleições originalmente marcadas para dezembro.

Capriles chegou às 13h ao Colégio Santo Tomás de Villanueva, em uma região de mansões e embaixadas. "A eleição de hoje é para governador. Não podemos falar de eleições presidenciais antecipadas", afirmou, antes de desejar a recuperação de Chávez.

Seu chefe de campanha, Oscar López, entretanto, admitiu o impacto da votação sobre as pretensões de Capriles de voltar a enfrentar o chavismo.

"Os candidatos que já disputaram as prévias com Capriles e perderam, na minha opinião, não deveriam voltar a concorrer. E precisamos ver se haveria tempo para novas prévias também", afirmou López ao Estado. Desde que Chávez anunciou que voltaria a Cuba para uma cirurgia de alto risco e declarou como sucessor o vice-presidente, Nicolás Maduro, candidatos opositores que perderam a primária para Capriles voltaram dar sinais de que voltariam a tentar. "Acredito que o escolhido acabará sendo Antonio Ledezma (prefeito de Caracas)", avalia o cientista político Omar Noria, da Universidad Simon Bolívar. Outro nome potencial é Pablo Pérez, governador do Estado de Zulia.

Polarização. Em frente ao centro de votação de Capriles, a estudante Dubraska Alvarez, de 23 anos, vestia uma camisa dos Leones, time de beisebol rival da equipe de Chávez, o Magallanes. "A rivalidade política é muito maior que a esportiva", reclamava. Ao seu lado, uma advogada que preferiu se identificar como "senhora Correa" saía da escola com quatro parentes, incluindo a mãe, em uma cadeira de rodas. "Precisamos de todos os votos para voltar a ter liberdade de expressão", disse. "Eu adorava usar vermelho, por exemplo. Mas desde que Chávez, assumiu, não posso mais", afirmou. / R.C.

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