Com foco em Cabul, EUA começam a esquecer Iraque

A estratégia no Iraque serviu de base para o plano do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de enviar mais 30 mil soldados para o Afeganistão, seguindo a recomendação do comandante das forças norte-americanas no território afegão, general Stanley McCrystal. Mas, assim como ocorreu com o conflito afegão, aos poucos a guerra iraquiana começa a ser esquecida, para voltar à tona apenas quando grandes atentados ocorrem, como os cinco de ontem em Bagdá, que deixaram ao menos 127 mortos e 390 feridos. A condenação dos atentados ficou por conta dos representantes militares norte-americanos no Iraque, sem grandes declarações de Obama ou da secretária de Estado, Hillary Clinton.

AE, Agencia Estado

09 de dezembro de 2009 | 07h54

Os jornais e TVs norte-americanos não cobrem mais Bagdá como faziam até o começo do ano. Os principais correspondentes foram deslocados para Cabul. Os centros de estudo em Washington dedicam seus principais eventos ao que ocorre no Afeganistão e no Paquistão, assim como optaram por contratar mais analistas especializados nestes dois países. E a agenda da política externa de Obama foi dominada pelo Afeganistão nos últimos três meses.

O Iraque, na visão da maioria dos norte-americanos, já seria uma espécie de batalha vencida. Alguns soldados já voltaram e, desde meados do ano, a segurança das ruas está sob responsabilidade das forças iraquianas. Apesar de todas as falhas, o premier Nouri al-Maliki é bem mais confiável do que o presidente afegão, Hamid Karzai, suspeito de corrupção. O surge - a estratégia que consistia no aumento das tropas e em acordos com líderes tribais sunitas - teria dado certo e basta repetir a mesma receita no Afeganistão.

O problema é que a situação no Iraque, apesar de ter melhorado, está longe de ser a ideal. Embora os índices de mortes e de ataques tenham caído, ainda ocorrem no país grandes atentados, com centenas de mortos - levantando o temor de uma nova escalada de violência. Os conflitos étnicos, que pareciam superados, intensificaram-se nos últimos meses. Quase não houve acordo para a realização de eleições, provocando seu adiamento de janeiro para março. Para complicar, muitos sunitas voltam aos poucos para a insurgência, o que pode afundar o plano dos EUA, segundo analistas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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