Win Mcnamee/AFP
Win Mcnamee/AFP

Com fuzis nas mãos, milhares protestam contra leis de controle de armas na Virgínia

Multidão é contra projeto do governador para limitar acesso e compra de armamentos; autoridades estão em alerta por risco de violência

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2020 | 14h59

RICHMOND, EUA — Milhares de pessoas participam de uma grande marcha contra os planos do governo do estado americano da Virgínia de implementar regras mais rígidas para a venda e a posse de armas de fogo. Segundo os organizadores, até 100 mil pessoas são esperadas ao redor da Assembleia estadual nesta segunda-feira, na cidade de Richmond.

Portando armas de fogo, algumas de grande poder de destruição, e com roupas camufladas, grupos se espalharam pelas ruas da cidade. Vendedores oferecem camisetas e outros itens com frases de apelo aos armamentistas, além de material de campanha do presidente Donald Trump.

Por outro lado, não há sinal de manifestações de grupos favoráveis a controles dos arsenais nas mãos dos civis. O risco de violência é grande, ainda mais em um estado que ainda convive com as lembranças das manifestações da extrema direita em Charlottesville, em 2017, quando uma pessoa morreu e dezenas ficaram feridas em confrontos.

Por isso, o governo decretou estado de emergência e impôs medidas adicionais de segurança. Os organizadores criticam a proposta do governador democrata Ralph Northam de impor leis restringindo o acesso a armas de fogo. Elas incluem checagem de antecedentes mais amplas, o veto a fuzis e o limite de compra de uma arma por mês.

No ano passado, ele tentou implementar essas regras após o massacre em Virginia Beach, quando um atirador matou 12 pessoas em um prédio do governo municipal. A proposta foi rechaçada pela Assembleia estadual, na época dominada pelos republicanos, que perderam o comando da Casa nas eleições gerais de novembro do ano passado.

A iniciativa é vista como um “ataque aos direitos constitucionais” pelos armamentistas. Eles citam a Segunda Emenda da Constituição, que trata do direito de manter e portar armas de fogo. “As pessoas estão olhando para isso e dizendo “é um canário em uma mina de carvão. Se eles estão indo atrás dos direitos na Virginia, em breve estarão atrás dos nossos também" afirma Philip Van Cleave, um dos organizadores dos protestos de hoje, em entrevista à Reuters.

“A Segunda Emenda está sob ataque muito sério no grande estado da Virgínia”, postou o presidente dos EUA, Donald Trump, no Twitter. Na campanha eleitoral de 2016, a Associação Nacional do Rifle, principal lobby pró-armas nos EUA, doou cerca de US$ 30 milhões à campanha do republicano.

'Lobo solitário'

Apesar de garantirem que se trata de um ato pacífico, com a presença de famílias, os próprios organizadores falam sobre a possibilidade de violência. Christian Yingling, integrante de um grupo armado e figura de destaque nos protestos da extrema direita de Charlotesville em 2017, diz que pediu a seus colegas que não marchem armados, mas reconhece que muitos não estão seguindo a orientação.

“Com algo entre 50 e 100 mil pessoas vindo, isso tem um potencial enorme de dar errado” afirmou à Reuters. Outras lideranças armamentistas dizem que basta um “lobo solitário” aparecer para dar início à violência. O governo da Virgínia estabeleceu uma série de regras para o protesto, como a proibição expressa de armas de fogo nos arredores da Assembleia. Eventos realizados em locais fechados estão realizando controle dos visitantes, que são obrigados a passar por detetores de metais.

Além disso, desde a semana passada a cidade de Richmond está sob estado de emergência por conta de “ameaças graves”. Pouco depois de a medida ser adotada, um grupo de neonazistas foi preso, acusado de planejar ações para incitar a violência.

“Nos encontramos nessa situação porque o lobby armamentista está promovendo essa mensagem de que vamos tirar as armas das pessoas, estão atiçando essa fogueira por muitos anos”, disse à Reuters Michelle Sandler, integrante do grupo Moms Demand Action (“Mães Pedem Ação”), uma organização em defesa de limites ao acesso a armas de fogo. O ato coincide com o feriado do Dia de Martin Luther King, morto com um tiro no dia 4 de abril de 1968. / REUTERS

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