Kirsty Wigglesworth/AP Photo
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Com guinada à esquerda, Corbyn promete novo referendo do Brexit e reformas radicais

Em programa de governo para a eleição legislativa de 12 de dezembro, líder trabalhista diz que votação juridicamente vinculante seria realizada em até 6 meses e teria opção de permanecer na UE

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2019 | 10h54

LONDRES - O lider trabalhista britânico, Jeremy Corbyn, apresentou nesta quinta-feira, 21, em Birmingham seu programa de governo, focado em "reformas sociais radicais e ambiciosas". O manifesto promete ainda a realização de um novo referendo vinculante sobre o Brexit em até seis meses.

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Com o título "Está na hora de uma mudança real", o documento detalha os objetivos que o principal grupo de oposição do governo conservador de Boris Johnson quer implementar se chegar ao poder após as próximas eleições, em 12 de dezembro.

Entre outras coisas, o Partido Trabalhista promete reduzir a jornada semanal de trabalho para 32 horas em uma década sem diminuição dos salários; aumentar o salário mínimo nacional para "pelo menos £ 10 (R$ 54,3) por hora" para funcionários com mais de 16 anos e introduzir quatro novos feriados no calendário anual.

Nesta "reforma radical" dos direitos e condições dos trabalhadores, Corbyn também promete maior proteção contra demissões injustas. "Este é o programa (de governo) com o plano mais radical e ambicioso para transformar nosso país em décadas", disse o político ao apresentar o manifesto.

Em seu discurso em um uma universidade em Birmingham, o político enfatizou a "oportunidade única" apresentada pelas eleições de "realizar uma mudança real e interromper a privatização e o resgate do Serviço Nacional de Saúde (NHS)".

"O manifesto trabalhista é um manifesto de esperança. É isso que esse documento representa - um manifesto que trará mudanças reais", afirmou Corbyn. "Um manifesto cheio de políticas populares que o establishment tem bloqueado há uma geração."

No documento, o partido compromete-se a ajudar os cidadãos a conciliar a vida familiar e profissional, pois teriam o direito de optar por horários flexíveis e poderiam estender a licença-maternidade remunerada de 9 para 12 meses e, ao mesmo tempo, dobrar a licença-paternidade para quatro semanas.

Corbyn destacou que um Executivo trabalhista pode "resolver o Brexit e unificar o país", prometendo "erradicar a emergência climática que ameaça a todos" e "reescrever as regras da economia para trabalhar para a maioria e não por alguns".

Em relação à saída do país da União Europeia (UE), o líder trabalhista disse que o acordo Brexit negociado por Johnson é "uma fraude para os britânicos" e previu que pacto "será o começo de anos de negociações eternas e promessas quebradas".

O manifesto defende a realização de outro referendo "juridicamente vinculante" sobre a permanência no bloco e promete resolver essa questão "dentro de seis meses", no qual o acordo com a UE seria renegociado e submetido a votação, incluindo o opção de permanência na UE.

Caso neste plebiscito hipotético a opção de continuidade no bloco econômico triunfasse, o programa trabalhista ressalta que esse resultado não deve "implicar a aceitação do status quo".

Nesse caso, o partido diz que "trabalhará com parceiros europeus para buscar uma reforma radical da UE, em especial para garantir que sua força coletiva esteja focada na erradicação de emergências climáticas, sonegação de impostos e no fim da austeridade e desigualdade".

Segundo o manifesto, "a UE precisa de uma nova direção política" e, caso os cidadãos optem por continuar no bloco, o partido "liderará o caminho para garantir essa mudança".

Em relação às reformas que o partido quer empreender, outro dos compromissos é "restabelecer os salários do setor público até atingir, pelo menos, os níveis anteriores à crise financeira", com aumentos anuais acima da inflação, começando com um aumento de 5%.

"Eles sabem que nós vamos atrás dos sonegadores, dos maus patrões e dos grandes poluidores para que todos em nosso país tenham a chance de uma vida justa", prometeu o político.

Os trabalhistas querem realizar essa reforma propondo, entre outras medidas, que aqueles que recebem salários anuais acima de £ 80.000 (R$ 434.700) "paguem um pouco mais de imposto de renda".

Embora não se comprometa a reduzir as emissões de carbono até 2030, a formação promete buscar "uma maioria substancial" das reduções de dióxido de carbono antes desse ano. 

"Se os banqueiros, bilionários e o establishment pensassem que representamos a política como de sempre, que podemos ser comprados, que nada realmente mudaria - eles não nos atacariam tão ferozmente", disse Corbyn. / EFE e REUTERS

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