Chinatopix via AP
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Com imagem em risco, China recorre a vigilância e restrições severas para conter variante Delta

Número de novos casos relatados ainda está na casa das centenas, mas epidemiologistas expressaram preocupação com o surgimento de aglomerações locais em quase 30 cidades, incluindo Pequim e Wuhan

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de agosto de 2021 | 17h28

PEQUIM - Diante de um surto de coronavírus que se espalha rapidamente, a China está implementando diversas restrições a viagens, além de ordens de confinamento, cuja escala não tinha sido vista desde a explosão inicial de casos em Wuhan, no ano passado.

Impulsionado pela variante Delta, o surto será um teste para as vacinas da China observado de perto, bem como de sua estratégia de contenção draconiana, que até agora tem sido amplamente eficaz em manter o nível de infecções baixo, segundo os especialistas.

O número de novos casos relatados ainda está na casa das centenas, mas epidemiologistas expressaram preocupação com o surgimento de aglomerações locais em quase 30 cidades, incluindo Pequim, Wuhan e  Zhengzhou. Em Wuhan, moradores correram para os supermercados para as compras antes do lockdown.

As autoridades responderam rapidamente com novas restrições, maior vigilância e, em alguns lugares, incentivos em dinheiro para quem denunciasse pessoas suspeitas de serem portadoras do vírus.

Wuhan começou a testar todos os 11 milhões de residentes após 7 novos casos; Zhengzhou, ainda se recuperando de uma forte chuva que matou pelo menos 300 pessoas, também começou os testes em massa.

Na terça-feira, o aplicativo de vigilância usado pelo governo para rastrear o histórico de viagens das pessoas e o status de exposição travou brevemente devido ao tráfego intenso.

"Com a transmissibilidade da variante Delta, o método de rastreamento e contenção está se tornando cada vez mais difícil", disse Nikolaus Osterrieder, reitor do Jockey Club College of Veterinary Medicine and Life Sciences em Hong Kong. "Como todo mundo, a China agora está em uma corrida."

Há muito em jogo para os líderes do país, não apenas em termos de saúde pública, mas para a imagem política, disse Yanzhong Huang, pesquisador sênior de saúde global do Conselho de Relações Exteriores. Segundo ele, se as infecções dispararem, isso não só levará as pessoas a questionar a eficácia da abordagem de controle da pandemia existente, mas também prejudicará significativamente a narrativa oficial que apregoa a superioridade do sistema político da China no tratamento da pandemia.

Huang acrescentou que o surto da variante Delta também torna cada vez mais improvável que a China afrouxe significativamente as fronteiras a tempo para a Olimpíada de Inverno de 2022 em Pequim, em fevereiro.

A maioria dos epidemiologistas concorda que uma abordagem de tolerância zero não é sustentável a longo prazo, mas na ausência de imunidade coletiva, disse Osterrieder, as autoridades chinesas não têm muitas alternativas de curto prazo. Mais da metade da população foi totalmente vacinada até julho, ainda aquém da meta de 80 a 85% que os especialistas dizem ser necessária para proteger a população.

A partir desta semana, todas as províncias da China emitiram avisos de viagem ou proibiram deslocamentos não essenciais para áreas consideradas de alto risco. Algumas vilas bloquearam o acesso às estradas para impedir a entrada de visitantes indesejados, e as universidades ordenaram que alunos e funcionários não saíssem do câmpus.

Em Pequim, onde mais de 80% dos residentes foram vacinados, a maioria dos distritos passou mais de um ano sem novos casos, mostram dados do governo. Mas na semana passada, cinco novas infecções foram relatadas, o que levou as autoridades a impedirem os residentes de mais de uma centena de áreas de alto ou médio risco de entrar na cidade.

A capital precisa ser protegida a todo custo, disse o secretário do Partido Comunista de Pequim, Cai Qi, em uma reunião no domingo, quando as autoridades decidiram sobre as novas restrições. “De cima a baixo, a cidade precisa estar em alerta”, acrescentou.

O surto da variante Delta começou na cidade de Nanjing, no leste do país, onde as autoridades dizem que os trabalhadores do Aeroporto Internacional de Lukou foram provavelmente expostos ao vírus por viajantes infectados da Rússia. Em dez dias, o vírus chegou a pelo menos duas dúzias de outras cidades, formando novos focos de contaminação.

A cidade turística de Zhangjiajie, conhecida por seus pilares de quartzo-arenito e passarelas de vidro, foi colocada em isolamento depois que viajantes recentes deram positivo. As autoridades dizem que estão correndo para rastrear mais de 2 mil pessoas que assistiram a uma apresentação teatral lotada no fim de julho, antes de se espalharem por todo o país.

As autoridades também estão prestando atenção à cidade de Yangzhou, perto de Nanjing, na Província de Jiangsu, que registrou 94 novos casos desde o fim de semana. Autoridades de Yangzhou ofereceram uma recompensa em dinheiro de US$ 770 para pessoas que relatassem residentes que recentemente passaram por salas de jogos Mahjong ou que regressaram de outras áreas de alto risco. Se o teste individual for positivo, a recompensa seria dobrada, noticiou um jornal de Xangai./W.POST 

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