Com imigração em queda, EUA preparam reforma

Lei proposta pela Casa Branca deve ter apoio dos republicanos, após caráter decisivo do voto latino nas eleições

DENISE CHRISPIM MARIN , CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

06 de dezembro de 2012 | 23h48

Com apoio inédito do Partido Republicano, a Casa Branca vai lançar no início de 2013 seu projeto de ampla reforma da imigração em um momento em que o eleitorado latino ganhou força nas eleições presidenciais e em meio à queda no número de imigrantes ilegais residente nos EUA.

Um assessor da Casa Branca informou ao Estado que a aprovação da lei de imigração é a prioridade do presidente Barack Obama em 2013. Cecília Muñoz, diretora de Política Doméstica da Casa Branca e filha de imigrantes bolivianos, é responsável pela formulação do projeto, que deve ser apresentado ao Congresso logo depois da posse de Obama, em 21 de janeiro.

Pela primeira vez, o ambiente no Congresso mostra-se favorável à adoção de políticas de legalização de indocumentados, especialmente de jovens estudantes. Obama decretara essa medida neste ano, mas quer vê-la transformada em lei. Parte da vitória de Obama na eleição de novembro foi atribuída ao voto latino, atento às posições dos candidatos sobre a questão da imigração. O presidente teve o voto de comunidades tradicionalmente republicanas, como os cubanos.

No Congresso, a bancada republicana está revendo suas posições sobre o tema, alertada pelo aumento da importância do voto latino e de sua principal demanda. No dia 5, em uma de suas raras aparições públicas, o ex-presidente George W. Bush levantou a bandeira em favor de uma reforma ampla da lei de imigração. "Os imigrantes não só ajudaram a construir nossa economia. Eles também deram mais vigor à nossa alma", disse.

Pesquisa. Um estudo realizado pelos especialistas Jeffrey Passel e D'Vera Cohn, do Pew Hispanic Research, indicou um recuo no número de imigrantes ilegais de 12,0 milhões, em 2007, para 11,1 milhões, em março de 2011.

Segundo os pesquisadores, o declínio deve-se principalmente ao movimento migratório do México. Em 2000, cerca de 700 mil mexicanos cruzaram a fronteira, a maioria sem documentos apropriados. Em 2010, esse total caiu para 140 mil. O número de mexicanos residentes nos EUA que preferiram retornar a seu país entre 2005 e 2010 dobrou.

Segundo Peter Hakim, presidente honorário do Inter-American Dialogue, a crise econômica americana desestimulou a permanência de imigrantes, sobretudo os ilegais desempregados, nos EUA, e o retorno de parte deles. O aumento da segurança da fronteira pelo governo americano e da violência na travessia pelo deserto também contribuiu, assim como a queda da taxa de natalidade no México. "Não existe mais aquela imigração em massa de mexicanos para os EUA", resumiu Hakim.

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