Com incentivos oficiais, piquete vira instituição nacional

Bloqueios de pontes, ruas e avenidas de Buenos Aires tornam-se o meio preferido de reivindicação de todos os grupos sociais

Marina Guimarães, O Estado de S.Paulo

08 de janeiro de 2011 | 00h00

O bloqueio de pontes, ruas e avenidas ganhou projeção na Argentina durante a crise econômica de 2001, mas foi com o kirchnerismo que a prática virou uma instituição nacional. Estratégia preferida de todos os grupos sociais, o piquete tornou-se também uma arma do governo, segundo a oposição, que acusa a presidente Cristina Kirchner de financiar os protestos.

Em 2010, somente em Buenos Aires foram 340 bloqueios de ruas, uma média de 1,4 por dia útil, segundo a consultoria Diagnóstico Político. Em todo o país foram 2.269 piquetes. "É uma vergonha", diz o taxista Eduardo González, de 38 anos, que reclama que os protestos atrapalham os trabalhadores.

Apesar de ganharem projeção em 2001, foi na presidência de Néstor Kirchner, dois anos depois, que os manifestantes passaram a receber subsídios para comparecer a atos públicos e trabalhar em campanhas políticas.

Com isso, alguns grupos sociais começaram a organizar amplos bloqueios com objetivo de arrancar benefícios da Casa Rosada. Os sindicatos passaram a fazer piquetes para exigir aumentos salariais. Os estudantes, para protestar contra diretores e professores. O cidadão comum, para denunciar a falta de energia elétrica, de abastecimento de água e de segurança.

Sem uma lei que regule as manifestações, qualquer grupelho pode fechar impunemente o trânsito de avenidas importantes da capital.

"Os únicos que sofrem com a baderna são os trabalhadores", reclama Daniel Sosa, contador de 56 anos que trabalha em uma firma de exportação.

O secretário geral da Confederação do Trabalho da Argentina (CTA), Carlos Chile, diz que não há outra forma de reclamar. "Só assim nos escutam", afirmou. Ele reconhece, porém, que os protestos irritam a população. "Por isso, não usamos esse recurso todo o tempo." / AGÊNCIA ESTADO

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