AFP PHOTO / JOEL SAGET
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Com julgamento em outubro, Sarkozy será primeiro líder francês a responder por corrupção

Aposentado da vida pública desde 2016, ex-presidente será julgado em um caso de tráfico de influência, que ficou conhecido na França como o 'escândalo da escuta'

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de janeiro de 2020 | 20h37

PARIS - O ex-presidente Nicolas Sarkozy (2007-2012) se tornará em outubro o primeiro ex-chefe de Estado francês julgado por corrupção, como anunciou o Tribunal Correcional de Paris nesta quarta-feira, 8. 

Aposentado da vida pública desde 2016, Sarkozy será julgado em um caso de tráfico de influência, que ficou conhecido na França como o "escândalo da escuta".

Suspeita-se que o ex-presidente tenha tentado obter, no início de 2014, por intermédio de seu advogado Thierry Herzog, informações secretas de um ex-magistrado em um processo que o afetava (o chamado "caso Bettencourt"), em troca de apoiar esse juiz a obter um posto em Mônaco.

O julgamento, que será realizado de 5 a 22 de outubro, começará assim que os recursos de Sarkozy forem esgotados para evitar o processo.

Em suas descobertas reveladas em 2017, as autoridades judiciais financeiras compararam os métodos de Sarkozy aos de "um criminoso experiente".

O julgamento se baseia nas conversas telefônicas entre Sarkozy e seu advogado, nas quais o ex-chefe de Estado usava um telefone especial e um nome falso.

As conversas foram gravadas como parte da investigação de um outro escândalo: o possível financiamento ilícito da campanha na qual foi eleito em 2007 com dinheiro do ex-ditador líbio Muamar Kadafi

Sarkozy também deve ser julgado nos próximos meses por irregularidades nas contas da campanha de 2012, quando perdeu para François Hollande, do Partido Socialista. Segundo a acusação, ele superou o teto máximo de gastos e recebeu dinheiro suspeito da Bygmalion, uma empresa de organização de eventos.

Outro caso que Sarkozy responde na Justiça francesa é o pagamento de uma indenização milionária ao empresário Bernard Tapie por comissões ilícitas em vendas de armamentos./ AFP e EFE

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