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Com Lula a caminho, Israel amplia cerco a palestinos e tensão aumenta

Estradas da Cisjordânia são bloqueadas e reforço policial toma Jerusalém; Hillary critica novos assentamentos

, O Estadao de S.Paulo

13 de março de 2010 | 00h00

SEM SAÍDA - Palestino que atirava pedras foge de policiais antidistúrbio de Israel em Jerusalém Oriental

Israel bloqueou ontem as vias de acesso à Cisjordânia e reforçou medidas para evitar manifestações de palestinos em Jerusalém Oriental. O cerco foi ampliado um dia após o vice-presidente americano, Joe Biden, deixar a região com um sabor de derrota em sua iniciativa para relançar "negociações indiretas", e a dois dias da chegada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Tel-Aviv (mais informações na página 20).

Ontem foi a vez da secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, criticar a expansão israelense.

Israel justificou as medidas afirmando que temia novas ações de palestinos durante as preces de sexta-feira - dia sagrado para muçulmanos e judeus. Todas as estradas que ligam a Cisjordânia, sob controle da Autoridade Palestina (AP), a Jerusalém foram bloqueadas. Contingentes de policiais antidistúrbio passaram a ocupar pontos estratégicos em Jerusalém Oriental, local reivindicado pela AP como futura capital de um Estado Palestino.

Todos os palestinos com menos de 50 anos foram proibidos de entrar na Mesquita de Al-Aqsa, um dos lugares mais sagrados do Islã. Israel deteve quatro manifestantes que atiravam pedras contra policiais. Palestinos teriam tentado também atacar um ônibus escolar de crianças israelenses ortodoxas.

Na Faixa de Gaza, território controlado pelo grupo islâmico Hamas, centenas de manifestantes queimaram bandeiras de Israel e dos EUA. "Nós recuperaremos a mesquita de Al-Aqsa com nosso sangue e nossas almas", cantava a multidão. Líderes do grupo criticaram a AP, controlado pela facção rival Fatah, que teria sido submissa ao aceitar o "diálogo indireto" proposto pelos EUA.

DESAVENÇA

A polêmica envolvendo o anúncio da construção de milhares de novas casas em Jerusalém Oriental, feito por Israel enquanto Biden visitava o país, continuou ontem. Segundo o Departamento de Estado, Hillary telefonou ao premiê israelense, Binyamin "Bibi" Netanyahu, para dizer que o imbróglio prejudica os laços entre Washington e Tel-Aviv. A construção dos novos complexos habitacionais "é um sinal muito negativo da posição de Israel diante da relação bilateral", disse o porta-voz do Departamento de Estado, P. J. Crowley. A atitude de Israel "compromete a confiança e fé no processo de paz", completou.

Biden já havia, por duas vezes, criticado a decisão israelense de construir mais 1600 casas em território palestino. Israel desculpou-se, mas não revogou o projeto. O anúncio foi feito diretamente pelo Ministério do Interior de Israel, controlado pelo partido ultradireitista e religioso Shas, supostamente à revelia de Netanyahu.

Em visita a Túnis, o presidente da AP, Mahmoud Abbas, afirmou que as "negociações indiretas" propostas pelos EUA foram comprometidas por Israel. Ele, porém, não confirmou a informação divulgada pela Liga Árabe de que palestinos recusariam o diálogo diante da medida israelense.

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