Com maioria islâmica, Parlamento egípcio realiza primeira sessão

O Parlamento egípcio voltou às funções nesta segunda-feira pela primeira vez desde que uma histórica eleição livre levou os islâmicos ao centro do poder, após anos de repressão sob o governo do presidente deposto Hosni Mubarak.

MARWA AWAD, REUTERS

23 de janeiro de 2012 | 11h21

O Partido Liberdade e Justiça, braço político da Irmandade Muçulmana, foi o maior vencedor do primeiro pleito livre em décadas, e prometeu guiar o Egito na transição ao controle civil depois que generais assumiram o comando na esteira do levante popular que começou em 25 de janeiro e derrubou Mubarak em 11 de fevereiro de 2011.

"Convido a distinta assembleia a se erguer e ler a fatiha (oração muçulmana) em memória dos mártires da revolução de 25 de janeiro... porque o sangue dos mártires é o que propiciou este dia", disse Mahmoud al-Saqa, de 81 anos, membro do partido liberal Wafd, que como representante mais antigo da casa atuou como presidente .

Após realizar uma oração silenciosa, cada membro leu o juramento de posse. Alguns exibiam faixas amarelas em protesto contra o julgamento militar de civis.

Um membro islâmico, Mamdouh Ismail, leu o juramento que promete lealdade à nação e suas leis, mas acrescentou que "contanto que não se oponham às leis de Deus".

A ascensão dos islâmicos marca uma grande mudança em relação à era Mubarak, quando o Parlamento era um organismo complacente repleto de membros de seu Partido Democrático Nacional, que colocava a lealdade e o próprio interesse acima de religião ou ideologia.

A Irmandade Muçulmana era oficialmente proibida, mas tinha alguns assentos com candidatos "independentes".

Os generais que substituíram Mubarak permanecerão no comando até a eleição presidencial de junho, quando prometeram ceder o poder, embora muitos egípcios suspeitem que o Exército possa tentar manter a influência nos bastidores mesmo depois disso.

"Hoje retomamos a revolução. Perdemos um ano. Temos trabalho a fazer", disse Kamal Abu Etta, proeminente ativista do sindicato dos trabalhadores e membro do partido laico Karama, ao adentrar o edifício cercado de policiais.

Uma das primeiras medidas da câmara baixa na sessão desta segunda-feira será eleger um presidente, que deve ser Mohamed Saad el-Katatni, indicado do Partido Liberdade e Justiça. As eleições à câmara alta do parlamento serão realizadas em fevereiro.

Embora os islâmicos dominem, não está claro se formarão um bloco único no parlamento, que terá importância capital na redação da nova Constituição, escolhendo a assembleia de 100 membros que formulará o documento. A Irmandade disse querer ser inclusiva e garantir que todas as vozes do Egito sejam ouvidas.

"Iremos cooperar com todos: com as forças políticas dentro e fora do parlamento, com o governo interino e com o conselho militar até alcançarmos a segurança concedida pela eleição presidencial", disse Essam el-Erian, vice-líder do Liberdade e Justiça.

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