Com mais de 30 mil nas ruas, G-8 discute os pobres

Cerca de 2 mil manifestantes antiglobalização entraram em choque com a polícia italiana antidistúrbios neste sábado durante uma marcha da qual participaram entre 30 mil e 60 mil pessoas, segundo estimativas, contra a cúpula do Grupo dos Oito - os sete países mais industrializados do mundo e a Rússia -, iniciada na sexta-feira na cidade portuária de Gênova. A principal marcha era encabeçada por um enorme cartaz com a inscrição: "Vocês, G-8. Nós, 6.000.000.000." Um prédio residencial na Praça Kennedy, palco dos confrontos mais violentos, foi incendiado, bem como uma agência bancária. Quase todas as vitrines das lojas na área foram destruídas. Nas primeiras duas horas da marcha, iniciada por volta das 14h locais (9h em Brasília), dez pessoas foram hospitalizadas. Em uma clara resposta aos protestos que os mantêm sitiados no centro histórico de Gênova, os chefes de Estado e de governo de Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Itália, Canadá, Japão e Rússia emitiram um comunicado frisando que as reuniões do G-8 se concentram em temas "vitais para o mundo, como economia, empregos, comércio e ajuda a países pobres, em especial na África". O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, prometeu que a cúpula terá como foco as necessidades dos pobres. "Essa causa é a prioridade da política externa dos Estados Unidos. Somos uma nação rica com a responsabilidade de ajudar os outros", disse. Um dia antes, o G-8 anunciou a criação do Fundo Mundial para a Aids e a Saúde, com contribuição de cerca de US$ 1,2 bilhão, e o perdão da dívida das 23 nações mais pobres, no valor de US$ 53 bilhões. Segundo o Fórum Social de Gênova, órgão que congrega cerca de 800 organizações antiglobalização e se opõe a ações violentas nas marchas, o número de feridos hoje era bem maior do que no dia anterior, quando mais de 180 pessoas ficaram machucadas. Os grupos mais radicais, classificados como anarquistas pelas forças de segurança, tentaram romper as barreiras de concreto e metal armados em torno da chamada zona vermelha, o centro histórico, onde fica o Palácio Ducal, sede da cúpula, e o porto, local em que a maioria dos líderes está hospedada, em um navio luxuoso. Os manifestantes estavam enfurecidos com a morte a tiros pela políca, no dia anterior, do italiano Carlo Giuliani, de 23 anos, quando arremessava um extintor contra um jipe das forças de segurança. Eles atiravam pedras, viravam carros e queimavam contêineres de plástico, gritando: "Assassinos, assassinos." Um fotógrafo que presenciou a morte de Giuliani disse ter escutado os disparos vindos do jipe, mas hoje um outro profissional afirmou ter visto um policial na rua atirar em Giuiliani. As imagens mostram o jipe dando marcha-à-ré e passando sobre o corpo do rapaz.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.