REUTERS/Mariana Bazo
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Com mais de 87% das urnas apuradas, candidato governista amplia margem de vitória no Equador

Até o momento, Lenín Moreno conta com 39,1% dos votos válidos, contra 28,3% do conservador Guillermo Lasso

Luiz Raatz, enviado especial / Quito, O Estado de S.Paulo

20 Fevereiro 2017 | 10h50

QUITO - O boletim mais recente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) do Equador, divulgado na manhã desta segunda-feira, 20, indica que o candidato do presidente Rafael Correa, Lenín Moreno não tem a vantagem necessária para vencer a eleição presidencial do país no primeiro turno. Com 87,8% das urnas apuradas, o esquerdista tem 39,1% dos votos válidos, enquanto o ex-ministro da Fazenda Guillermo Lasso conta com 28,3%. Para vencer no primeiro turno, o candidato precisa de mais de 40% dos votos, com uma vantagem de pelo menos 10 pontos em relação ao segundo colocado.

Apesar de a vantagem parcial de Moreno ser insuficiente, até o momento, para impedir um segundo turno, o CNE informou que só se pronunciará com 100% das urnas apuradas. A terceira colocada na disputa é Cynthia Viteri, do Partido Social Cristão (PSC), com 16,35% dos votos. O esquerdista Paco Moncayo segue em quarto lugar, com 6,75%.

No fim da noite de domingo, Moreno discursou para simpatizantes de seu partido, o Alianza País, na Avenida de Los Shirys, no norte da capital Quito. O ex-vice presidente disse que tem fé na vitória ainda no primeiro turno e, para isso, conta com os votos da Província de Manabí e do exterior - onde as apurações estão mais lentas. “Está claro que temos os 10 pontos de vantagem, mas ainda não conseguimos os 40%”, disse ele. “Cruzem os dedos.”

Se tiver sua vitória confirmada, Moreno se tornará o primeiro equatoriano com deficiência física a assumir a liderança do Estado, já que sofre de uma paraplegia como consequência de um tiro sofrido em um assalto em 1998.

Lasso, por sua vez, valeu-se de projeções de boca de urna e da contagem rápida da ONG de monitoramento Participación Ciudadana para tratar sua presença no segundo turno como fato consumado. “Estamos ganhando de um modelo que pretende instaurar uma ditadura partidista no Equador”, disse o candidato à emissora Ecuavisa. “O segundo turno é definitivo. Eles não conseguirão superar nem os 40% nem os 10 pontos de vantagem."

Ao longo da noite, simpatizantes da candidatura de Lasso reuniram-se em vigília em frente à sede do CNE. Eles exigem celeridade na contagem dos votos e temem uma fraude. 

Desgaste. Os analistas sempre advertiram que seria difícil levar o correísmo ao segundo turno, quando este conta com uma base de 30% de sólido apoio no país. "Estes 10 anos foram uma amostra para que vejam o progresso do país, embora muita gente não queira ver o que temos diante de nós", afirmou Nora Molina, uma funcionária pública de 53 anos.

Contudo, mesmo que Moreno vença no primeiro turno, o governismo sofreu uma contundente perda de votos em relação às presidenciais de 2009 e 2013, em razão da ausência de Correa, de uma delicada situação econômica e da corrupção que ofuscou a campanha.

Os resultados ainda não permitem confirmar se o correísmo manterá a maioria de dois terços no Legislativo.

"Antes Correa ganhava por mais de 50%, pela bonança que havia naquele momento. As pessoas sentiam que viviam melhor, mas isso já não é assim", disse o economista Alberto Acosta-Burneo, consultor do Grupo Spurrier. Segundo o governo, a deterioração da economia se deve a fatores externos, como a crise no petróleo, a desvalorização de moedas vizinhas, o fortalecimento do dólar e os custos do terremoto de abril. / com AFP

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