'Com mais força, líder ampliará pressão à mídia'

Jorge Lanata, fundador nos anos 80 do jornal Página 12 - que revolucionou o jornalismo argentino - considera que a presidente argentina, Cristina Kirchner, com mais poder no segundo mandato, aumentará a pressão sobre a mídia não alinhada com seu governo.

Entrevista com

BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2011 | 03h03

Como será o segundo governo de Cristina?

A presidente sempre esteve perto dos empresários. Agora, o governo está se afastando dos sindicatos, pois percebeu que não tem mais dinheiro. Precisará recorrer a alguma "caixa". Uma delas, que tem quase US$ 3 bilhões, é a que está nas mãos do sistema de saúde dos sindicatos. O ano que vem será difícil para o governo, pois o PIB crescerá pela metade, haverá efeitos da crise internacional no Brasil e, por tabela, na Argentina, que exporta muito para o mercado brasileiro. Além disso, este segundo mandato terá um fator novo, o da influência do primogênito do casal Kirchner, Máximo, no governo da mãe. Até pouco tempo era um rapaz que se encarregava apenas dos investimentos da família. Mas desde a morte de Kirchner é parte do círculo do poder. Não é de se descartar a possibilidade de que Cristina, se não se apresentar à reeleição em 2015, tente emplacar o filho como candidato presidencial.

A presidente Cristina aumentará a pressão sobre a mídia não alinhada?

O governo tentará controlar a produção e a distribuição de papel de jornal por intermédio do projeto de lei para declarar o papel de jornal "de interesse público". E, caso o Estado transforme-se no único distribuidor de papel, o jornalismo argentino já era, pois ela dará muito papel para os jornais amigos e quase nada para os críticos. Além disso, o governo tentará desbloquear na Justiça os pontos que foram suspensos na Lei de Mídia. Nunca antes houve volumes tão grandes de publicidade oficial. / A.P.

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