Wojtek RADWANSKI / AFP
Wojtek RADWANSKI / AFP

Com máscaras e distanciamento, poloneses votam em eleição adiada pela pandemia

Em busca de segundo mandato, presidente Andrzej Duda disputou com outros dez candidatos; pesquisas indicavam prefeito de Varsóvia como principal opositor

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2020 | 15h00

VARSÓVIA - Os poloneses votam, neste domingo, 28, no primeiro turno de uma eleição presidencial apertada, que foi adiada pela pandemia do novo coronavírus e pode ser decisiva para o governo nacionalista conservador do presidente Andrzej Duda, de 48 anos. O segundo turno está previsto para 12 de julho.

O presidente em final de mandato está em busca de um segundo mandato e enfrentou outros dez candidatos na disputa. De acordo com as últimas pesquisas, seu principal adversário é o prefeito liberal da Varsóvia, Rafal Trzaskowski, do principal partido de oposição, a Plataforma Cívica (PO).

Uma eventual vitória de Trzaskowski, que também tem 48 anos, seria um revés para o governo do Partido Lei e Justiça (PiS), que promoveu com Duda uma série de reformas controversas, especialmente no âmbito da Justiça. Segundo o PiS, as mudanças eram necessárias para eliminar a corrupção entre os juízes.

Já os países da União Europeia (UE) criticam as reformas do governo avaliando que elas enfraqueceram a democracia, passadas apenas três décadas da queda do comunismo.

Enquanto isso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que vê o governo polonês como um importante aliado europeu, apoiou Duda esta semana. O chefe de Estado polonês foi o primeiro líder estrangeiro a ser recebido na Casa Branca desde o início da pandemia, apenas quatro dias antes da eleição.

O processo eleitoral foi bastante afetado pela crise do coronavírus, que forçou as autoridades a adiar a votação de maio para junho. Um novo sistema de votação híbrido - por correio e convencional - foi planejado para este domingo para reduzir o risco de infecções.

Conforme dados oficiais, o país registra mais de 33 mil casos de contágio e mais de 1.400 mortes. O Ministério da Saúde já reconheceu, porém, que pode haver até 1,6 milhão de casos não detectados na Polônia, um país de 38 milhões de habitantes.

Retórica anti-homossexual

Duda prometeu aos poloneses que defenderia uma série de benefícios sociais promovidos pelo partido da situação, como uma espécie de "renda-família" e aumento da aposentadoria. Os poloneses temem uma recessão, a primeira desde o fim do comunismo, devido à crise deflagrada pelo novo coronavírus.

Segundo analistas, Duda apoiou fortemente os ataques do Lei e Justiça aos direitos das pessoas LGBT. Já Rafal Trzaskowski prometeu reparar os laços com a UE. Desde que chegou ao poder em 2015, Duda e o PiS alimentaram tensões com Bruxelas. / AFP

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