Com medo da próxima bomba, israelenses ficam em casa

Ofra Gallily-Abramovitz tem medo de levar seu filho de sete anos às aulas de judô - e até mesmo à escola. Ela e um número cada vez maior de israelenses têm preferido ficar dentro de casa, com medo de freqüentar locais muito movimentados.Israel normalmente ostenta sua relativa prosperidade, seu comércio e sua vida noturna movimentada. Porém, os aparentemente incontidos atentados suicidas fazem com que nenhum lugar pareça seguro o bastante, e uma inatividade receosa está tomando conta de ruas, lojas, restaurantes e clubes antes muito movimentados.Gallily-Abramovitz entocou-se em casa desde que uma bomba explodiu num supermercado perto de sua residência e seu marido foi um dos reservistas convocados para atuar na Cisjordânia. Ela comprou fitas de vídeo, roupas de boneca e outros brinquedos para seus filhos para mantê-los distraídos enquanto ficam em casa."Quero ajudar meus filhos. Por isso, não demonstro a eles o que sinto realmente", comenta Gallily-Abramovitz, uma veterinária. "É essa dúvida que me mata. Sinto que vou explodir, mas tenho de ser dócil com meus filhos."Desde 1º de março, 127 israelenses morreram - a maioria em atentados suicidas - de um total de 415 mortos em mais de um ano e meio de confrontos entre israelenses e palestinos.Tentando manter o moral da população em alta, líderes israelenses pedem às pessoas que levem a vida normalmente, mesmo se houver um alerta de que algo ruim está por vir.Numa aparente tentativa de preparar o país para o pior, o primeiro-ministro Ariel Sharon disse num pronunciamento pela tevê que "o Estado de Israel está em guerra".Enquanto ele falava, soldados - inclusive alguns dos 20.000 reservistas convocados na semana passada - entravam em mais cidades palestinas como parte de uma ofensiva do Exército contra a Cisjordânia para atacar supostos militantes palestinos.O público ignora os pedidos para que a vida normal seja mantida. Os jovens evitam os bares, os vendedores evitam os shoppings, e os pais não deixam seus filhos ficarem em nenhum lugar muito movimentado.O colunista Shalom Yerushalmi repreendeu os prefeitos das três maiores cidades de Israel - Jerusalém, Tel-Aviv e Haifa - por dizerem a seus moradores que continuem saindo apesar das bombas que explodiram em cada uma dessas cidades na semana passada.Uma mensagem como esta é "irresponsável", escreveu Yerushalmi em sua coluna no jornal Maariv nesta segunda-feira. "O terror está perto de nós", escreveu ele. "A possibilidade de um ataque é real e concreta em qualquer lugar, mesmo no supermercado ao lado."Buttefly, um café no tranqüilo bairro de Beit Hakerem, em Jerusalém, onde mora Yerushalmi, colocou um segurança na porta para tentar acalmar seus freqüentadores. Mas o segurança começou a ficar entediado à medida que os clientes paravam de ir. Recentemente, o café fechou suas portas.Num sinal de redução de confiança, o principal índice de ações da Bolsa de Valores de Tel Aviv despencou 7% nos primeiros dois dias da última semana. A queda ocorreu quando o Exército de Israel cercou o quartel general do líder palestino Yasser Arafat em Ramallah, na Cisjordânia.As bancas de jornais mostram as cenas de horror do dia anterior. Vítimas ensangüentadas perto de mesas caídas em um restaurante de Haifa. Uma mulher assustada perto do local domina uma fotografia com uma legenda anunciando que seu marido e dois filhos morreram na explosão. Outras fotos mostram soldados da reserva beijando suas namoradas para despedir-se.

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