Com medo de ataques, milhares fogem da capital do Chade

Refugiados tentam escapar de choques entre rebeldes e forças do governo iniciados no sábado

MOUMINE NGARMBASSA, REUTERS

04 de fevereiro de 2008 | 15h16

Milhares de civis fugiram de Ndjamena (capital do Chade), na segunda-feira, enquanto forças rebeldes recuavam após uma investida de dois dias. Os rebeldes, no entanto, afirmaram que atacariam novamente a fim de tentar depor o presidente Idriss Deby.   Veja também:  Governo diz que tomou controle da capital  Entenda o conflito entre governo e rebeldes   Com medo de novos ataques, milhares fogemO Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) fez um apelo, nesta segunda, à comunidade internacional para que apóie o governo do Chade. O governo de Deby, recuperando-se do mais recente ataque contra a cidade em menos de dois anos, afirmou ter derrotado os mais de 2.000 insurgentes que invadiram a capital desse país da região central da África no sábado, usando caminhonetes blindadas. No entanto os rebeldes, que consideram o governo de 18 anos chefiado por Deby corrupto e ditatorial, aconselharam a população de Ndjamena a abandonar suas casas. E disseram que o recuo de domingo havia sido uma manobra "tática". Os insurgentes estariam se reorganizando para atacar novamente. "Estamos às portas da cidade", afirmou à Radio France International (FRI) Abderamane Koullamalah, porta-voz dos rebeldes. Na segunda-feira, moradores de Ndjamena contaram que a cidade estava relativamente calma. Helicópteros do governo sobrevoavam-na e explosões esporádicas podiam ser ouvidas. Algumas pessoas aventuraram-se a sair de suas casas. Veículos militares do governo circulavam pela capital. Corpos de civis mortos podiam ser vistos em algumas ruas, vítimas dos dois dias de combates caóticos e saques disseminados que danificaram bastante o prédio da rádio pública e o principal mercado da cidade. Moradores de Ndjamena afirmaram estar com medo de um novo ataque rebelde. Em algumas áreas, os insurgentes foram de casa em casa dizendo às pessoas que abandonassem a região, porque pretendiam atacar novamente. Um correspondente da Reuters que estava do outro lado do rio Logone-Chari, que banha a capital, afirmou ter visto um grande número de refugiados cruzando a ponte Ngueli para ingressar nos Camarões. "Eu vi uma menina ferida por uma bala nas costas. Havia algumas crianças chorando e quase todos estavam assustados", disse Emmanuel Braun, correspondente da Reuters Television. Autoridades camaronesas avaliam que cerca de 15 mil pessoas fugiram atravessando o rio, em direção à pequena cidade fronteiriça de Kousseri. O ministro das Relações Exteriores do Chade, Ahmat Allam-mi, disse que Ndjamena estava sob o controle das forças de Deby. "A batalha de Ndjamena chegou ao fim", afirmou à RFI desde Adis-Abeba, onde participou de uma cúpula da União Africana (UA). O grupo Médicos Sem Fronteiras estima que várias centenas de pessoas ficaram feridas nos combates. O Chade diz que os rebeldes, entre os quais ex-aliados do presidente, contam com o apoio do Sudão. O governo sudanês nega estar envolvido no conflito e, a seu turno, acusa os chadianos de dar apoio aos rebeldes que atuam na região de Darfur (Sudão).

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