Com medo, espanhóis acampam na rua após terremoto

Milhares de pessoas acamparam hoje nas ruas após um terremoto de magnitude 5,1 no dia anterior atingir o sudeste da Espanha, matando oito pessoas e ferindo 130. Há uma criança entre os mortos, no mais mortífero terremoto no país europeu em mais de cinco décadas, segundo o governo regional.

AE, Agência Estado

12 de maio de 2011 | 09h41

Três dos mortos eram mulheres e pelo menos uma delas estava grávida, disse o prefeito de Lorca, Francisco Jodar, ao jornal regional La Verdad. O tremor derrubou prédios e paredes, além de fazer outros estragos, disse o chefe da Defesa Civil regional, Luís Gestoso. Em Lorca, cidade de 93 mil habitantes, boa parte dos moradores deixou suas casas, temendo mais desabamentos. Segundo a televisão pública, cerca de 20 mil construções foram danificadas em Lorca, município que ostenta muitos monumentos medievais.

A torre do relógio do século XVII da Igreja San Diego tombou e caiu, quase atingindo um repórter da rede pública TVE. "Quase ninguém dormiu em suas casas na noite passada", disse o prefeito da cidade. Muitos preferiram outras cidades, seus carros, as ruas ou praças públicas. "Nós demos a eles cobertores, comida, água e atenção médica e psicológica", disse Jodar.

A mídia espanhola falou em 10 mil pessoas que deixaram suas casas, mas o prefeito disse não ter um número exato. "É muito triste ver vizinhos passando a noite nas ruas. Há desespero e medo que possa ocorrer outro evento sismológico", relatou o prefeito. Sismólogos espanhóis previram tremores menores no próximo mês.

Autoridades regionais disseram que não há informações sobre desaparecidos e o número de mortos não deve subir significativamente. "Nós sabemos que vivemos perto de uma falha geológica, mas nunca pensávamos que isso aconteceria conosco", disse Pepe Tomas, de 56 anos, enfermeiro da clínica local que viveu toda sua vida na cidade, localizada em uma das zonas sísmicas mais ativas da Península Ibérica. "As pessoas estão com medo. Ninguém viu algo assim antes."

O terremoto ocorreu às 18h47 (horário local) da quarta-feira, a uma profundidade de dez quilômetros. O tremor foi sentido na capital, Madri. Quase duas horas antes, havia acontecido um tremor menor de magnitude 4,4.

O primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero, do Partido Socialista, e o líder do conservador Partido Popular, Mariano Rajoy, concordaram em suspender a campanha para eleições regionais em 22 de maio. No total, foram enviadas 225 unidades militares de emergência para a área, além de 400 trabalhadores para garantir a segurança e realizar buscas, informou o Ministério do Interior.

Este foi o mais mortífero terremoto na Espanha desde 19 de abril de 1956, quando um tremor derrubou prédios e matou 11 pessoas em Albolote, cidade no sul do país, na província de Granada. As informações são da Dow Jones.

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