KAZUHIRO NOGI/AFP
KAZUHIRO NOGI/AFP

Com minuto de silêncio, Hiroshima lembra o 70º aniversário do ataque atômico na 2ª Guerra

Representantes de mais de 100 países participaram da cerimônia; prefeito da cidade pediu que líderes mundiais trabalhem 'incansavelmente' para que o mundo não tenha armas nucleares

O Estado de S. Paulo

06 de agosto de 2015 | 08h43

TÓQUIO - Hiroshima lembrou nesta quinta-feira (data local), 6, com um minuto de silêncio, o 70º aniversário do lançamento da bomba atômica americana contra a cidade japonesa, em uma cerimônia que contou com a presença de representantes de mais de 100 países.

Milhares de pessoas ficaram em completo silêncio no Parque Memorial da Paz às 8h15 locais (20h15 de quarta-feira em Brasília), a hora exata na qual um avião americano disparou a primeira bomba nuclear da história a poucos metros de onde o ato era realizado, há 70 anos.

Entre os presentes estavam a embaixadora americana no Japão, Caroline Kennedy, a subsecretária de Estado dos EUA para o Controle de Armas e a Segurança Internacional, Rose Gottemoeller, assim como representantes de outras potências nucleares, como Grã-Bretanha, França e Rússia.

Após o minuto de silêncio, o prefeito de Hiroshima, Kazumi Matsuiu, pediu ao primeiro-ministro do Japão, Shizo Abe, e a outros líderes mundiais como o presidente dos EUA, Barack Obama, que trabalhem "incansavelmente" para conseguir um mundo livre de armas nucleares.

Em seu discurso, Matsui afirmou que a cúpula de líderes do G-7 que será realizada no próximo ano em Shima, na região central do Japão, representará "a oportunidade perfeita para divulgar uma mensagem conjunta sobre a abolição do armamento nuclear".

Além disso, o prefeito convidou Obama a visitar as cidades bombardeadas pelos americanos, a conversar com os "hibakusha" (nome que recebem no Japão os sobreviventes dos ataques nucleares) e "contemplar a realidade provocada pelo armamento atômico".

Ainda existem no mundo cerca de 15 mil bombas nucleares, afirmou Matsui, pedindo à comunidade internacional para erradicar até 2020 esse tipo de arma "desumana e de maldade máxima".

O prefeito de Hiroshima também defendeu o caráter pacifista da Constituição japonesa, depois de o governo federal ter defendido uma polêmica mudança na legislação para permitir que o Exército do país tenha um papel mais ativo em nível global.

"O Japão deve promover o caminho rumo a uma paz verdadeira no mundo todo, através do exemplo representado pela Constituição", ressaltou Matsui, filho de um hibakusha.

Entre os milhares de presentes, havia 100 delegações de países ou organismos internacionais, o que representa a maior participação no evento, superando os 74 representantes que estiveram no 65º aniversário da tragédia, em 2010.

Em março, o número total de hibakusha que vivia no Japão ou residia em outros países era de 183.519, praticamente a metade dos 372.246 que seguiam vivos em 1980. / EFE

Tudo o que sabemos sobre:
JapãoHiroshimaEUA2ª Guerra

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.