Com morte de líder, guerrilha fica sem figuras de respeito

Desde que Juan Manuel Santos assumiu a presidência do país, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) lançaram uma série de operações no sul do território colombiano, que causou a morte de 30 policiais e soldados. A súbita ofensiva fez crescer o temor de que a guerrilha tirasse proveito da mudança política e reconquistasse zonas que haviam sido perdidas.

Análise: Daniel Pécaut, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2010 | 00h00

No entanto, a morte de Jorge Briceño, o "Mono Jojoy", evidencia novamente a vulnerabilidade das Farc. Há uma semana, 30 guerrilheiros foram mortos na região de Putumayo, entre eles um comandante. Além disso, o assassinato do líder militar, ontem, é um golpe infinitamente maior contra a guerrilha.

Não significa que as Farc estão prestes a sucumbir. Entretanto, a morte de "Mono Jojoy" pode precipitar o processo de aniquilação já em curso, com diversas frentes da guerrilha tendendo a cair de vez na delinquência. De qualquer maneira, a partir de agora, as Farc ficam privadas de sua última figura legendária.

Resta Alfredo Cano, o líder político da insurgência. Mas ele não tem nem a aura nem o respeito que "Mono Jojoy" tinha entre os guerrilheiros - atributos conquistados pelo passado de camponês, pelo prestígio militar e pelo temor que o líder assassinado inspirava. /TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

É PROFESSOR DA ESCOLA DE ESTUDOS SUPERIORES EM CIÊNCIAS SOCIAIS, DE PARIS, E AUTOR DE "FARC: GUERRILHA SEM FINS?" (EDITORA PAZ E TERRA)

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