Erin Kirkland/The New York Times
Erin Kirkland/The New York Times

Com novo debate, Biden tenta se consolidar entre eleitores moderados 

Desde o primeiro debate, o ex-vice-presidente se viu envolvido em uma batalha com Kamala Harris pelo voto negro

Redação, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2019 | 20h29

MICHIGAN, EUA - Ao subir ao palco do debate do Partido Democrata promovido pela CNN na noite desta quarta-feira, 31, em Detroit (Michigan), Joe Biden estará determinado a se consolidar como o favorito entre os eleitores moderados da legenda. O confronto com os rivais do partido, dividido entre moderados e progressistas, foi o ápice de um esforço de recuperação na corrida rumo à Casa Branca.

O democrata, que foi vice do primeiro presidente negro dos Estados Unidos, Barack Obama, viu sua preferência cair significativamente após o primeiro debate no qual foi duramente confrontado pela senadora Kamala Harris em temas raciais. 

Biden admitiu que foi pego de surpresa no mês passado quando Harris o criticou por se opor ao uso do transporte escolar na integração racial nos anos 70, uma exigência federal, e por trabalhar com segregacionistas quando atuava no Senado dos EUA décadas atrás.

O ataque contundente impulsionou Harris nas pesquisas eleitorais, e a reação tímida de Biden enfraqueceu sua posição. No entanto, ele se recuperou em algumas sondagens recentes e continua na liderança, graças ao apoio firme dos eleitores negros. Segundo o RealClearPolitics, site que faz a média de todas as pesquisas nos EUA, Biden lidera com 32,2% das intenções de voto

Os cerca de duas dúzias de postulantes vêm disputando atenção e apoio financeiro na corrida democrata para escolher quem desafiará o presidente republicano, Donald Trump, nas eleições de novembro de 2020. 

Desde o primeiro debate, o ex-vice-presidente se viu envolvido em uma batalha crescente com Harris e com o senador Cory Booker pelo voto negro, um eleitorado vital na disputa pela nomeação democrata. 

Booker, que não participou do último debate com Biden, intensificou seus ataques. Ele qualificou Biden como “o arquiteto do encarceramento em massa” durante a convenção da Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor em Detroit na semana passada, uma referência ao trabalho de Biden como senador no projeto de lei criminal de 1994 que críticos dizem ter levado ao aprisionamento desproporcional de homens negros. 

Segundo o New York Times, as esperanças dos moderados repousam agora sobre Biden mais do que nunca e na sua capacidade de decidir se sua ala dentro do partido terá ou não um nome convincente para as próximas seis semanas, até que se inicie a próxima rodada de debates, em setembro. 

Isolado entre os principais candidatos da disputa democrata, Biden posicionou-se com o um representante da centro-esquerda, um defensor de mudanças com uma sensibilidade aguçada para as ansiedades dos eleitores com relação a reformas drásticas e com relação à lentidão das instituições políticas dos EUA. 

Diferentemente de outros democratas moderados, Biden não precisa de shows pessoais para se apresentar ao país, nem rompantes políticos para um aumento repentino nas pesquisas para se tornar relevante em uma corrida que já lidera. 

Mas, na opinião do New York Times, um novo tropeço de Biden poderia abrir caminho para moderados relativamente discretos começarem a ameaçar sua vantagem eleitoral. 

Candidatos como a senadora Amy Klobuchar (Minnesota) e o prefeito de South Bend, Pete Buttigieg (Indiana), se concentrariam agressivamente para conquistar os eleitores do Centro-Oeste americano, enquanto dos dois candidatos negros da disputa, Kamala Harris e Cory Booker, veriam um caminho para a vitória nos Estados do Sul onde atualmente os eleitores negros apoiam Biden. 

No entanto, na avaliação do New York Times, nenhum candidato na disputa democrata seria capaz de herdar toda a coalizão em torno de Biden se ele perder força na disputa. 

Trump diz já contar com o fato de Biden ser seu desafiante. “Eu acho que ele está muito por fora do jogo, mas pessoalmente acho que ‘Sleepy Joe’ (Joe Sonolento) vai ser o candidato”, disse Trump a repórteres na terça-feira, usando o apelido que gosta de usar para o ex-vice-presidente.

A noite de hoje será a segunda dos debates promovidos pela TV CNN, que dividiram dez candidatos para cada noite. Na terça-feira, Bernie Sanders e Elizabeth Warren defenderam repetidamente suas propostas sob fogo cerrado de adversários mais moderados, que argumentaram que seus planos de oferecer assistência de saúde universal, combater a mudança climática e descriminalizar as travessias ilegais na fronteira prejudicariam os democratas nas urnas no ano que vem. / NYT, REUTERS, EFE e AFP 

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