AFP / Jiji Press
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Com o fim da cúpula de Trump e Kim, enviado americano viaja para informar aliados na Ásia

Enquanto o líder norte-coreano foi recebido como vitorioso ao retornar a seu país, o presidente dos EUA vem sendo questionado se não cedeu muito em troca de pouco

O Estado de S.Paulo

13 Junho 2018 | 11h58

CINGAPURA - Um dia após a histórica cúpula da qual participaram o presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, os dois retornaram às suas fortalezas nesta quarta-feira, 13. Contudo, tiveram recepções bem diferentes.

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Em Pyongyang, a imprensa estatal relatou o vitorioso encontro com Trump, destacando as fotos dos dois líderes um ao lado do outro. O americano, por outro lado, enfrentou diversos questionamentos sobre se não havia cedido muito em troca de pouco ao conceder uma nova legitimidade ao regime de Kim e encerrar os “jogos de guerra” com a Coreia do Sul, os quais os países aliados veem como cruciais para a segurança na Ásia.

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Enquanto o chefe da diplomacia americana voou para Seul para participar de reuniões nesta quarta-feira, a maior parte do continente asiático ainda tenta entender o furacão de eventos ocorridos no dia anterior.

Trump elogiou repetidamente as habilidade de negociação de Kim e sua nova relação, e expressou esperança por “um futuro novo e brilhante” para a nação empobrecida do norte-coreano. Mas há preocupações, especialmente do Japão e da Coreia do Sul - dois países que contam com uma grande presença militar americana -, com relação à decisão de Trump de cessar os exercícios militares conjuntos de Washington e Seul, os quais Pyongyang alega que são, na verdade, uma preparação para invasão. 

Essa concessão a Kim parece ter pego de surpresa o Pentágono e autoridades em Seul, além de preocupar alguns sul-coreanos. “Os EUA são nossos aliados, então os exercícios militares conjuntos ainda são necessários para manter nosso relacionamento com eles”, disse o jogador de futebol Lee Jae Sung, da cidade sul-coreana de Incheon. “Acho que eles continuarão por algum tempo.”

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, saiu de Cingapura e desembarcou na base aérea de Osan, no sul de Seul, nesta quarta-feira. Ele deve ter uma reunião privada com o general Vincent Brooks, comandante das Forças Armadas EUA-Coreia do Sul.

Pompeo se encontrará com o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, na quinta-feira de manhã para discutir a histórica cúpula. O ministro das Relações Exteriores do Japão, Taro Kono, também está a caminho de Seul e deve se reunir com o secretário de Estado americano e seu colega sul-coreano. Pompeo, ex-diretor da CIA, planeja viajar depois a Pequim para informar o governo chinês sobre as conversas diplomáticas.

Moon tem defendido o engajamento com Pyongyang, e a linguagem do acordo sobre o programa nuclear norte-coreano é similar à que os líderes da Coreia do Norte e do Sul utilizaram em sua própria cúpula, realizada em abril. Trump e Kim se referiram à chamada Declaração de Panmunjom, que anuncia um fraco comprometimento com a desnuclearização, mas não especifica como alcançá-la.

O Pentágono disse na terça-feira que estava dialogando com a Casa Branca, mas não mencionou se o exercício programado para agosto será realizado. Dana W. White, porta-voz do secretário de Defesa dos EUA, James Mattis, disse a repórteres que estava “em total alinhamento” com Trump.

No Japão, a expectativa de cancelar os exercícios conjuntos é vista com certa preocupação. “Eles desempenham papéis importantes para a segurança do leste da Ásia”, disse o ministro de Defesa japonês, Itsunori Onodera, à imprensa. Ele afirmou que pretende compartilhar a visão de Washington e Seul.

O chefe de gabinete do Executivo, Yoshihide Suga, ressaltou que o Japão quer obter mais explicações dos EUA e da Coreia do Sul sobre o assunto, e se negou a fazer outros comentários. / AP

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