Com Obama, Bibi insiste no direito de construir em Jerusalém Oriental

Com Obama, Bibi insiste no direito de construir em Jerusalém Oriental

Mal-estar. Israelense defende construção de 1.600 casas na Cidade Santa afirmando que local 'não é um assentamento, é capital'; em mais um sinal do abalo na relação bilateral, encontro foi marcado pela discrição, sem a presença da imprensa

Patrícia Campos Mello, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estadao de S.Paulo

24 de março de 2010 | 00h00

O presidente americano, Barack Obama, reuniu-se ontem durante uma hora e meia com o premiê israelense, Binyamin "Bibi" Netanyahu, na Casa Branca, mas não obteve concessões. Obama saiu sem nenhuma promessa de Bibi em relação a construções de casa nos assentamentos em Jerusalém Oriental e Cisjordânia. Os palestinos se opõem à insistência de Israel em construir em territórios ocupados.

Segundo funcionários da Casa Branca, os EUA e Israel "concordaram em discordar". E o presidente Obama deixou de exigir que Netanyahu pare de construir nos assentamentos. Obama pediu que o premiê israelense simplesmente deixe de anunciar novas construções em assentamentos, em uma estratégia que foi chamada de "não pergunte, não fale" por autoridades, em referência à política de gays nas Forças Armadas dos EUA.

A reunião entre Obama e Bibi começou às 17h30 e foi fechada à imprensa, o que demonstra que a situação é delicada. Não houve comunicado conjunto ao fim do encontro, como é de praxe nessas situações.

Na noite de segunda-feira, Bibi já havia dado indicações de que não vinha disposto a fazer concessões. Em discurso na conferência da Aipac, o principal lobby judaico dos Estados Unidos, Netanyahu afirmou que Israel "tem o direito de construir em Jerusalém."

"Jerusalém não é um assentamento, é nossa capital", disse.

Os EUA haviam ficado extremamente irritados quando Israel anunciou a construção de mais 1600 casas em Jerusalém Oriental, durante a visita do vice-presidente Joe Biden a Israel, duas semanas atrás. A Casa Branca considerou o anúncio um "insulto". Biden estava em Israel justamente para tratar do reinício das negociações entre israelenses e palestinos.

Na segunda-feira, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, advertiu Israel que a sobrevivência do país pode estar ameaçada caso não se chegue a um acordo com os palestinos. E pediu a Netanyahu que Israel "demonstre respeito às aspirações legítimas dos palestinos, pare com os assentamentos e aborde a crise humanitária em Gaza".

Segundo Hillary, novas construções em Jerusalém Oriental ou Cisjordânia "atrapalham a confiança mútua que são o primeiro passo necessário para negociações".

No Congresso, Bibi teve acolhida bem mais calorosa. "O Congresso fala com uma só voz a favor de nosso aliado, Israel", disse a presidente da Câmara, Nancy Pelosi. Bibi afirmou que o reinício das negociações pode demorar ainda mais se os palestinos não desistissem de pedir a suspensão das construções nos assentamentos.

PONTOS-CHAVE

Os Acordos de Oslo, firmados em 1993, previam quatro

temas centrais

1. Refugiados

Acerto sobre situação de palestinos que deixaram suas casas a partir de 1948

2. Fronteiras

Traçado de limites entre os dois Estados, incluindo questão dos assentamentos

3. Segurança

Jurisdição de forças de segurança seria estabelecido

4. Jerusalém

Cidade Santa (foto) deveria ter seu status definida

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.