Com ou sem Menem, Kirchner já é considerado presidente

Com ou sem a desistência do candidato Carlos Menem ao segundo turno das eleições, Néstor Kirchner já é considerado o futuro presidente da Argentina a partir da posse, marcada para 25 de maio. Seu plano de governo, descrito em uma publicação de 152 páginas, baseia-se em uma forte participação do Estado nas mais diferentes áreas da atividade nacional e com um claro conteúdo ideológico nacionalista, aparente em frases como "evitar a estrangeirização dos bancos".Kirchner defende uma rápida renegociação da dívida externa e a necessidade de fortalecer o Mercosul, em consonância com o discurso que fez parte de suas conversas com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, por ocasião de sua visita a Brasília na semana passada. Na apresentação do plano de governo, assinado pelo próprio Kirchner, destaca-se a participação de "mais de 8.000 profissionais e técnicos para escutar minhas idéias e explicar as suas". Sobre o mercado cambial, um dos temas mais discutidos atualmente na Argentina e no Brasil, Néstor Kirchner é superficial e não explica como será a política que irá adotar.Ele afirma que "a relação do peso com o resto das moedas (dólar, real,etc) deve guardar uma relação tal que incentive as exportações, assim como também uma adequada e eficaz substituição de importações". Em relação à dívida externa, o tópico dedicado ao assunto também não é muito extenso e tem uma introdução um pouco confusa: "É o tema mais sensível da futura política argentina. Com o setor privado deverá encarar-se uma negociação no mesmo dia do triunfo eleitoral."

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