Com país em crise, começa funeral de Benazir Bhutto

Milhares de paquistaneseschoravam e batiam nas próprias cabeças nesta sexta-feira aoverem o cortejo fúnebre de Benazir Bhutto deixar a casa dafamília dela, um dia depois de um atentado ter matado a líderoposicionista e ex-premiê. O atentado, a menos de duas semanas das eleições quepoderiam levá-la a chefiar o governo pela terceira vez,mergulhou o Paquistão em uma das piores crises da sua história. O marido de Bhutto, Asif Ali Zardari, acompanhou em umaambulância o caixão, fechado e envolto com a bandeira verde,vermelha e preta do seu partido, durante o trajeto de setequilômetros até o mausoléu da família. A morte de Bhutto desencadeou uma onda de violência em todoo Paquistão, mas especialmente em sua terra natal, a Provínciado Sindh, onde ao menos 16 pessoas morreram, incluindo trêspoliciais. Há especulações de que as eleições de 8 de janeiro, quemarcariam a volta do país ao regime civil, serão adiadas. Mas oprimeiro-ministro-interino, Mohammadmian Soomro, disse que porenquanto não haverá mudança de datas. Em Larkana, para onde o corpo de Bhutto foi levado em umavião militar, junto com o marido e os três filhos dela, umamultidão fazia fila para participar do velório. "Monstrem paciência. Dêem-nos coragem para aguentar estaperda", pediu o viúvo à multidão. Bhutto, de 54 anos, havia voltado ao Paquistão em outubro,após um auto-exílio de oito anos e já escapara de um atentadoque deixou mais de 150 mortos. Com sua enorme popularidadeentre os pobres, pretendia vencer as eleições do dia 8 e voltarao cargo de primeira-ministra. Na quinta-feira, ela declarou em um comício em Rawalpindique sua vida corria riscos. Ao sair do evento, enquanto acenavapelo teto-solar de um carro blindado, foi alvo de tiros e deuma explosão suicida, segundo policiais e testemunhas. Um policial disse que "o atirador era ou muito bem treinadoou estava muito próximo, pois conseguiu atingi-la na têmpora eno pescoço". Bhutto deixa o marido, um filho (Bilawal, 19 anos) e duasfilhas (Bakhtawar, 17, e Aseefa, 14). Falando à Reuters por telefone, o marido dela disse que ogoverno deveria renunciar. "Os que foram responsáveis peloataque de outubro também são responsáveis por este ataque",afirmou. Sem entrar em detalhes, mencionou uma carta enviada por elaainda no exílio ao presidente Pervez Musharraf, em queresponsabilizava aliados do governo e um órgão de segurança poreventuais ataques que ela viesse a sofrer. PAI ENFORCADO Bhutto morreu na mesma cidade, Rawalpindi, que é sede doExército e onde seu pai, o ex-premiê Zulfikar Ali Bhutto, foienforcado em 1979, dois anos após ser deposto por um golpemilitar. O Paquistão passou mais de metade da sua vida independentesob regimes militares, e o país está acostumado à violênciapolítica. Mesmo assim, o atentado contra Bhutto chocouadversários e aliados. "Benazir Bhutto era um raio de esperança para osmoderados", disse o bancário Abbas Raza, de Lahore. "Com amorte dela, perdemos toda a esperança." O ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif, que era rival deBhutto, disse que seu partido vai boicotar a eleição dejaneiro. Ele culpou Musharraf, no poder desde um golpe militar em1999, por criar instabilidade. Em novembro, Musharraf impôs um estado de emergência,aparentemente para impedir que o Judiciário barrasse suareeleição. Sob pressão doméstica e internacional, ele suspendeuas restrições em dezembro e abdicou do comando do Exército paratomar posse como presidente civil. (Com reportagem de Kamran Haider e Zeeshan Haider)

FAISAL AZIZ, REUTERS

28 de dezembro de 2007 | 10h04

Tudo o que sabemos sobre:
PAQUISTAOFUNERALBENAZIR

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.