The Washington Post by Evelyn Hockstein
The Washington Post by Evelyn Hockstein

Ao menos seis policiais são feridos em mais uma noite de protestos nos Estados Unidos

Noite de manifestações deixou autoridades de segurança feridas em diferentes locais dos Estados Unidos

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2020 | 11h06

NOVA YORK - Manifestantes presos, lojas saqueadas e policiais feridos. Esse foi o saldo de mais uma noite de protestos pela morte de George Floyd em diferentes partes dos Estados Unidos. As lojas de algumas das principais ruas de Manhattan foram invadidas, tiveram vidros quebrados e, ao redor do país, policiais foram feridos. Em Los Angeles, os moradores foram avisados ​​para evitar a região de Hollywood por causa de saques. 

Houve relatos de pelo menos seis policiais baleados e feridos em incidentes em todo o país. Um deles estava em estado crítico na terça depois de ser atingido em Las Vegas enquanto a polícia tentava dispersar as multidões que os atacavam com garrafas e pedras. 

Na mesma cidade, uma pessoa carregando várias armas de fogo foi morta depois de abrir fogo contra as forças policiais que protegiam um prédio federal. Em St. Louis, no Missouri, outros quatro policiais foram atingidos por tiros. 

O presidente Donald Trump ameaçou mobilizar as forças armadas se as autoridades estaduais e municipais não acabarem com os saques e a violência. Trump disse que protestos legítimos não podem ser suplantados por uma “multidão raivosa”. 

"Prefeitos e governadores precisam estabelecer uma presença contundente das forças da lei até a violência ser contida. Se uma cidade ou Estado se recusar a adotar as ações que são necessárias para defender a vida e a propriedade de seus moradores, mobilizarei os militares dos Estados Unidos e resolverei o problema para eles rapidamente". 

Sua declaração ocorreu na segunda enquanto a polícia usava gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes pacíficos. Depois, o presidente visitou uma igreja próxima e posou para fotos com uma Bíblia. O prefeito de Washington chamou o uso da força de "vergonhoso". 

Uma nova autópsia solicitada pela família de Floyd revelou que sua morte foi um homicídio causado por “asfixia mecânica” - força física que interferiu no seu suprimento de oxigênio.  

Os protestos são um novo elemento de crise em uma nação que estava se recuperando de uma pandemia que já matou mais de 100 mil pessoas, rebaixou a economia a uma situação que não era vista desde a Grande Depressão e obrigou milhões a se abrigarem em casa por meses. 

Reação

Protestos pela morte de Floyd foram registrados em várias partes do mundo. Em Berlim, no sábado, e em Londres, no domingo, as manifestações se concentraram diante da embaixada americana. Em Amsterdã, uma multidão lotou a Praça do Dam, no centro da cidade. Em Paris, os franceses pediam justiça para Adama Traoré, negro de 24 anos morto pela polícia em 2016. 

Os protestos também ocorreram no Irã. O chanceler, Mohamed Zarif, publicou no Twitter um comunicado antigo em que o Departamento de Estado dos EUA critica a repressão iraniana, mas substituindo as menções ao Irã pela palavra “América”. Até o aiatolá Ali Khamenei se pronunciou. “Se você tem a pele escura, e está caminhando nos EUA, não tenha tanta certeza de que estará vivo nos próximos minutos”, dizia a frase em uma conta ligada ao líder supremo no Twitter. 

Em conjunto com a raiva global contra a violência policial americana em algumas cidades, há outra demanda: que os legisladores prestem atenção aos sinais de racismo e abuso policial em seus próprios países. / The New York Times e Reuters 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.