Com popularidade em queda, premiê japonês pede apoio em eleição

O primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, pediu neste sábado aos eleitores que deem ao seu partido uma segunda chance em uma eleição neste fim de semana que pode causar uma grande derrota ao seu governo, colocando até o seu cargo em risco e paralisando esforços para uma reforma fiscal no país.

YOKO NISHIKAWA E BENJAMIN SHATIL, REUTERS

10 de julho de 2010 | 11h02

A queda da popularidade do Partido Democrático do Japão (DPJ), que chegou ao poder pela primeira vez no ano passado, aumentou depois que Kan - um ex-ativista civil e quinto líder do Japão nos últimos três anos - substituiu seu indeciso antecessor no mês passado.

O apoio ao partido caiu depois que Kan derrubou um longo tabu de aumentar os impostos do comércio para frear o déficit público, que está perto de chegar a duas vezes o tamanho da economia da nação, que é de 5 trilhões de dólares, e tentou persuadir eleitores de que ele tinha um plano claro para consertar os problemas da economia japonesa.

Desde então, Kan disse que nenhum aumento de impostos ocorreria antes de buscar um mandato na próxima eleição para a câmara baixa, que deve ocorrer no final de 2013, mas argumentou que o Japão não poderia adiar escolhas difíceis como essa se quisesse evitar uma crise como a ocorrida na Grécia.

"A economia japonesa é 20 a 30 vezes maior do que a da Grécia e seu déficit público é grande, então nenhum país no mundo pode ajudar o Japão", disse Kan a uma multidão de eleitores neste sábado sob um forte sol em uma popular região comercial do oeste de Tóquio.

"O próprio Japão deve assegurar que vai evitar o colapso," afirmou, acrescentando que a população pobre sofreria mais se as finanças do país ruírem.

O DPJ, que no ano passado tirou do poder a legenda rival - que estava há muito tempo no governo - com promessas de cortar os gastos públicos, acabar com o controle burocrático sobre a política e gastar mais dinheiro com os consumidores para aumentar o crescimento, vai quase certamente permanecer no governo seja qual for o resultado deste domingo, pois controla a poderosa câmara baixa.

Mas o partido precisa de uma maioria na câmara alta para evitar um impasse político e iniciar as medidas para reduzir o seu déficit público, que é o pior entre os países ricos.

PRECISANDO DE ALIADOS E ENFRENTANDO DESAFIOS

Pesquisas de opinião pública divulgadas pela imprensa nesta semana mostraram que o DPJ deve ficar com 50 ou menos dos 121 assentos em disputa, bem abaixo da meta de Kan de manter todos os 54 postos que os Democratas buscam reeleger.

Isso iria retirar a possibilidade de o DPJ e seu pequeno parceiro de coalizão, o Novo Partido do Povo, ficarem com a maioria na câmara alta. Assim, os Democratas teriam que procurar novas alianças, complicando a habilidade do governo de fazer andar a reforma fiscal que Kan colocou como centro da sua campanha.

Essa derrota também deixaria o premiê vulnerável a Ichiro Ozawa - um dos políticos mais influentes do partido e contrário à proposta de taxas para o comércio - antes de uma votação sobre a liderança do partido.

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