EFE/EPA
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Com poucos casos de coronavírus, Índia surpreende especialistas

Epidemiologistas falam em subnotificação, mas sugerem que população jovem e isolamento rígido explicariam fenômeno

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2020 | 19h20

NOVA DÉLHI - A Índia ultrapassou as mil mortes causadas pela covid-19, registrando cerca de 31 mil casos de infectados, segundos dados oficiais. Os números, muito abaixo dos registrados na Europa e nos Estados Unidos, têm deixado especialistas perplexos.

Eles temiam uma catástrofe na saúde do segundo país mais populoso do mundo (aproximadamente 1,3 bilhão de habitantes), com um sistema de saúde precário e enormes bairros marginais em situação de absoluta miséria. “Pode ser que a trajetória da epidemia indiana seja muito diferente das demais por razões que não compreendemos”, afirmou o epidemiologista Prabhat Jha, da Universidade de Toronto. “No momento, estamos lidando apenas com hipóteses.”

Entre os potenciais fatores mencionados está a juventude da população, que resiste melhor a este tipo de vírus.

Poderia ser que a vacina BCG, aplicada em massa na Índia para combater a tuberculose, proteja mais a população desta pandemia? Investigações sobre os eventuais efeitos protetores desta vacina estão em andamento, mas ainda não há a menor conclusão a respeito. 

Os especialistas destacam principalmente a imposição de um confinamento nacional rígido desde 25 de março – na ocasião, só havia 600 casos e 10 mortes em todo o país.

A paralisação das atividades significou um golpe terrível para os indianos mais pobres e milhões de trabalhadores, que de repente ficaram sem renda e tiveram de voltar caminhando para seus povoados, às vezes a centenas de quilômetros de distância.

No entanto, sem esta medida de confinamento, cerca de 100 mil pessoas poderiam ter se infectado, de acordo com as autoridades, que anunciaram uma prolongação das medidas até o dia 3.

Contudo, o número de casos registrados provavelmente está subestimado em razão dos poucos meios de detecção disponíveis.

“Constatamos que os números são baixos, mas não sabemos como interpretá-los”, resume o ex-chefe do Centro de Pesquisa Avançada em Virologia do Conselho Indiano de Pesquisa Médica, Jacob John. “Estamos avançando às cegas para obter os números reais.”

A dúvida também paira sobre o número real de mortes. Mesmo quando não está enfrentando uma pandemia, quase metade dos 10 milhões de mortos anuais no país não são devidamente registrados, principalmente nas zonas rurais, destaca Prabhat Jha.

No caso da covid-19, são contabilizadas apenas as mortes em hospitais e é impossível saber qual é a situação nas aldeias mais remotas. / AFP

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