Josep LAGO / AFP
Josep LAGO / AFP

Com protestos, Catalunha lembra um ano do referendo de independência 

Ativistas ocuparam estradas, estações de trem e ruas para marcar aniversário da votação; policiais e manifestantes entram em confronto

O Estado de S.Paulo

01 Outubro 2018 | 11h23

BARCELONA - Ativistas separatistas catalães bloquearam as principais rodovias, linhas de trem e avenidas da região nesta segunda-feira, 1º, data que marca o primeiro aniversário do referendo pró-independência da Catalunha, considerado ilegal pelas autoridades espanholas.

Segundo a Guarda Urbana, mais de 180 mil pessoas se manifestaram em Barcelona. Muitos manifestantes levavam cartazes em favor da independência da região e urnas como as que foram usadas há um ano no referendo. 

Os protestos foram convocados por aplicativos de mensagens de celular e organizados pelos Comitês para a Defesa da República, grupos de ativistas locais que surgiram após outubro de 2017.

No centro de Barcelona, centenas de estudantes universitários e de ensino médio realizaram uma marcha pacífica, gritando palavras de ordem em apoio a uma república Catalã independente e segurando uma faixa com os dizeres “Não esqueceremos, tampouco perdoaremos”.

Ao final da marcha foram registrados vários incidentes. Manifestantes esntraram em choque com as forças de segurança e conseguiram superar o bloqueio que impedia o acesso ao Parlamento catalão, em Barcelona. 

Em Girona, ao norte de Barcelona, centenas de ativistas ocuparam as linhas férreas de alta velocidade, enquanto a polícia regional tentava impedir mais manifestantes de entrar na área da estação. Um grupo de manifestantes invadiu os escritórios da delegação do governo central e derrubou a bandeira nacional da Espanha na cidade.

Os manifestantes também bloquearam rodovias da região, como a AP-7, na Província de Tarragona, uma via que cruza o litoral mediterrâneo de norte a sul.

Também foram bloqueadas as entradas de sedes bancárias, como a da CaixaBank, uma das principais entidades da região, ou do Banco de Espanha, onde colocaram um cartaz com o lema: "Soberania econômica. Fora Banco de Espanha".

Por toda a Catalunha, a população fez um minuto de silêncio ao meio-dia para marcar o aniversário do referendo e chamar atenção para a violência policial usada para repreender a votação.

O governador da Catalunha, Joaquin Torra, manifestou seu apoio às manifestações em favor do referendo pró-autodeterminação. No entanto, o governo espanhol lhe pediu que exortasse os catalães à serenidade e a ordem e lhe recordou da "fratura" na sociedade catalã.

O líder separatista Carles Puigdemont disse que os catalães devem permanecer unidos em sua busca de se separar da Espanha. "Não nos deixemos afastar da única maneira possível de vivermos em uma plena democracia: A república (catalã) e seu reconhecimento internacional".

Puigdemont fugiu para a Bélgica poucos dias depois de a declaração de independência ter sido aprovada no Parlamento regional catalão, em outubro de 2017, mas rejeitada pelo governo espanhol. Desde então, transformou uma acusação da Suprema Corte Catalã contra ele em uma plataforma para defender os direitos de autodeterminação na Europa.

O líder é procurado na Espanha sob acusações de rebelião. Até agora, ele lutou para não ser extraditado para a Espanha na Alemanha e na Bélgica. / AP

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