Com protestos, oposição pede anulação de eleição no Irã

Manifestantes quebraram vidraças de lojas e queimaram pneus neste domingo em Teerã, no segundo dia de protestos contra a reeleição do presidente do país, Mahmoud Ahmadinejad, que a oposição afirma ter sido uma fraude. A tropa de choque dispersou com violência os manifestantes. Também ocorreu uma passeata a favor da reeleição de Ahmadinejad, que reuniu dezenas de milhares de pessoas.

AE-AP-DOW JONES, Agencia Estado

14 Junho 2009 | 19h28

Na noite do sábado, as forças de segurança detiveram mais de 100 reformistas proeminentes, segundo informações de partidários que estiveram em uma reunião na sede do principal partido reformista.

O principal candidato reformista, Mir Hossein Mousavi, exortou neste domingo as autoridades religiosas do Irã a anular os resultados de uma eleição, que considerou uma fraude.

Outro candidato à presidência, Mahdi Karroubi, um ex-líder do Parlamento, também disse que houve fraude. "Os resultados são ilegítimos e falta ao governo dignidade nacional e competência social", ele escreveu em comunicado. "Então não reconheço o Sr. Mahmoud Ahmadinejad como presidente do Irã."

O governo bloqueou websites usados por reformistas partidários de Mousavi, que afirmou ter vencido as eleições.

Ahmadinejad subestimou os protestos, os maiores em uma década no Irã, ao dizer que eles "não têm importância" e se comparam a arruaças promovidas por torcidas de futebol. O presidente iraniano defendeu sua reeleição.

Ahmadinejad disse que sua reeleição foi "real e livre" e não pode ser questionada, a despeito das acusações de fraude. O presidente iraniano deu a declaração durante uma entrevista coletiva - a primeira desde que o governo anunciou a vitória no pleito da última sexta-feira.

A pouco mais de um quilômetro do local onde o presidente iraniano falava à imprensa, jovens colocavam fogo em caixas de lixo, pneus e bancos, enquanto enfrentavam os policiais.

Na coletiva, vários jornalistas iranianos fizeram questão de parabenizar Ahmadinejad pela vitória antes de fazer suas perguntas. Quando questionado sobre as alegações de irregularidade no pleito, o presidente desqualificou as acusações. "Alguns acharam que iam vencer e ficaram nervosos. Eles não têm base legal. É como as paixões após uma partida de futebol. Não é importante do meu ponto de vista", rechaçou. "A diferença de votos entre mim e meus concorrentes é muito grande e ninguém pode questioná-la", argumentou. Ahmadinejad também acusou a mídia estrangeira de travar uma "guerra psicológica" contra o Irã. Segundo as informações oficiais divulgadas no sábado, Ahmadinejad obteve 62,6% dos votos, enquanto seu principal rival, o ex-primeiro-ministro Mousavi, recebeu 33,75% dos sufrágios.

O chanceler da França, Bernard Kouchner, criticou hoje o governo iraniano pela reação "algo brutal" contra os manifestantes nas ruas de Teerã. A União Europeia expressou preocupação sobre a forma como a eleição foi conduzida. As eleições no Irã não contam com observadores estrangeiros.

Na Alemanha, o ministro das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, disse que o "desfecho da eleição no Irã levantou muitas questões" e pediu que as autoridades iranianas "verifiquem com cuidado as acusações, para providenciar uma explicação completa".

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