Fernando Vergara / AP
Fernando Vergara / AP

Iván Duque, conservador ligado a Uribe, é eleito presidente da Colômbia

Com 54% dos votos, senador ligado a ex-presidente colombiano derrota ex-guerrilheiro Gustavo Petro, candidato esquerdista; durante a campanha, ele prometeu rever acordo de paz com as Farc, mas sem desmontar totalmente o pacto

O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2018 | 19h08
Atualizado 17 de junho de 2018 | 21h14

BOGOTÁ - Conservador e afilhado político do ex-presidente Álvaro Uribe, o senador Iván Duque foi eleito neste domingo, 17, presidente da Colômbia. Ele obteve 54% dos votos e venceu o esquerdista Gustavo Petro, ex-prefeito de Bogotá, que conseguiu 42%. Aos 41 anos, Duque se tornou o mandatário mais jovem da história recente da Colômbia. Marta Ramírez, sua companheira de chapa, será a primeira mulher a ocupar a vice-presidência do país.

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Foi a primeira eleição desde a assinatura do acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), em 2016, que colocou fim a meio século de guerra civil entre o governo e a maior guerrilha do continente. Cerca de 7 mil rebeldes aceitaram depor as armas em troca de anistia e do direito de formar um partido político, com assentos garantidos no novo Parlamento.

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Durante a campanha, Duque prometeu “rever o acordo”, mas sem “destroçar” completamente o pacto, que foi negociado pelo atual presidente Juan Manuel Santos. Uribe foi um dos maiores críticos do resultado da aproximação, por considerá-la muito generosa com os ex-guerrilheiros. Petro, ex-guerrilheiro e rival no segundo turno da eleição presidencial, defende o acordo.

Uribe

Para muitos colombianos, a vitória de Duque representa o retorno do uribismo ao poder. Durante os oito anos de seu governo, Uribe combateu as Farc e o Exército de Libertação Nacional (ELN), a segunda maior guerrilha da Colômbia. Muitos colombianos acreditam que a repressão dura do uribismo enfraqueceu os guerrilheiros, que não tinham outra saída a não ser negociar um acordo de paz. 

No entanto, o governo de Uribe também é associado a graves violações de direitos humanos cometidas pelas forças de segurança e por grupos paramilitares. Assim, a grande questão que deve ser respondida nos primeiros meses de governo Duque é até que ponto o novo presidente será uma marionete política do uribismo, como acusam seus adversários.

Durante o dia de votação, o presidente eleito manteve um tom conciliador. “Hoje venho ratificar um desejo de que a Colômbia seja comandada por uma nova geração que governe com todos e para todos os colombianos”, afirmou Duque, pouco depois de votar.

Reações

Petro reconheceu a derrota. “Aceitamos a vitória de Duque e seremos oposição a seu governo”, disse o ex-guerrilheiro em discurso para seus partidários, logo após o resultado. Mais cedo, ele havia declarado que não se sentia derrotado. “Qual derrota? Aqui não há derrota. Oito milhões de colombianos marcaram uma posição”, escreveu Petro no Twitter.

Já o presidente Santos, que se manteve neutro durante a campanha, disse que falou por telefone com Duque. “Liguei para Duque para felicitá-lo e desejar toda sorte do mundo”, anunciou Santos. “Ofereci toda a colaboração do governo para realizar uma transição ordenada e tranquila.”

Rodrigo Londoño, conhecido como “Timochenko”, líder das Farc, também felicitou Duque pela vitória. “Este é um momento de reconciliação e de grandeza. Respeitamos a decisão da maioria e felicitamos o novo presidente”, disse.

Quem também comemorou a vitória de Duque foram os opositores venezuelanos. “Felicidades ao povo colombiano, que votou pela liberdade”, disse a deputada Delsa Solórzano. “Parabéns aos irmãos colombianos. Acreditamos que eles nos ajudarão a sair da ditadura que nos oprime”, afirmou Antonio Ledezma, ex-prefeito de Caracas.

Fake news

A campanha na Colômbia foi marcada por uma série de fake news nas redes sociais. Entre as histórias, estava a de que a atriz pornô Mia Khalifa seria filha do candidato Gustavo Petro ou que as abelhas (símbolo da campanha do esquerdista) poderiam ser parte de um ataque bioterrorista.

Outra história foi a montagem de uma foto do jogador de futebol James Rodríguez com uma mensagem de apoio a Petro, que foi desmentida pela mãe do meia do Bayern de Munique.

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