Com queda do governo, tropas etíopes sairão da Somália

Tropas da Etiópia começarão a sair da vizinha Somália nesta semana, deixando um vácuo de poder depois de dois anos apoiando o fraco governo somali. O presidente da Somália, Abdullahi Yusuf, renunciou hoje e o líder do Parlamento vai chefiar o governo interino até que seja escolhido um novo presidente, dentro de 30 dias. Muitos acreditam que a ausência de Yusuf vai permitir que líderes islâmicos moderados cheguem ao poder. Apenas algumas horas após a renúncia de Yusuf, foram disparados morteiros contra ruas na proximidade do palácio presidencial na capital, onde o governo mantém um frágil controle.Yusuf foi o último líder a fracassar na tarefa de pacificar a Somália nas últimas duas décadas. Foram feitas mais de 12 tentativas de formar um governo efetivo desde 1991. Nesse período, todas as instituições públicas foram destruídas e a capital do país, Mogadiscio, que já foi uma bela cidade litorânea, agora está devastada por batalhas armadas.O mais agressivo grupo islâmico insurgente, o al-Shabab, teve ganhos territoriais substanciais nos últimos meses e agora controla boa parte do país. Em comunicado, o grupo afirmou hoje que Yusuf está renunciado "com vergonha". Os Estados Unidos acusam o al-Shabab de abrigar terroristas ligados à rede terrorista Al-Qaeda. Em um discurso transmitido em cadeia nacional de rádio, Yusuf disse que não conseguiu unir as lideranças da Somália e que o país está "paralisado"."Após ver tudo isso, eu finalmente decidi renunciar", disse Yusuf, um ex-senhor da guerra que foi presidente por quatro anos. A renúncia de Yusuf foi comemorada pelo enviado da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Somália, Ahmedou Ould-Abdallah. A ONU patrocinou vários acordos de paz entre as facções somalis mas todos fracassaram em meio ao caos e à violência política. O al-Shahab não participou de nenhum acordo.A planejada retirada das tropas da Etiópia acabaria com sua presença impopular e deixaria o governo mais vulnerável aos insurgentes. Os etíopes entraram na Somália há dois anos, com a aprovação tácita dos Estados Unidos para varrer os grupos de insurgentes islâmicos. A Somália tem sido destruída pela violência desde que o exército derrubou o ditador Mohamad Siad Barre, em 1991. O atual governo de transição foi formado com apoio da Organização das Nações Unidas (ONU) em 2004.Violência e PobrezaMilhares de civis foram mortos ou mutilados por morteiros, tiros e granadas em batalhas quase diárias na Somália. A ONU afirma que o país tem 300 mil crianças subnutridas, mas os ataques e seqüestros de profissionais da entidade forçaram o fechamento de muitos projetos humanitários. A falta de uma lei na Somália também provocou o surgimento da pirataria na costa do país. Yusuf, que foi coronel do exército somali na década de 1960, foi preso por Barre quando recusou a cooperar com um golpe de Estado em 1969. Apesar de Yusuf ser membro de um dos quatro maiores clãs da Somália, os Darod, ele é impopular em Mogadiscio por causa de suas ligações com a Etiópia - um dos tradicionais inimigos da Somália.

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