JOEL SAGET / AFP
JOEL SAGET / AFP

Com queda no fluxo de estrangeiros, Paris aposta nos turistas locais

França é o principal destino turístico do mundo; só a região de Paris recebeu 50 milhões de turistas no ano passado

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2020 | 11h19

PARIS - Diante da queda no número de estrangeiros devido à pandemia, os profissionais de turismo de Paris contam com clientes locais para "salvar" parte da temporada de verão. Restaurantes, museus e outras atrações turísticas da França foram duramente atingidos pelo confinamento de dois meses, e Paris, em particular, ainda sofre com a ausência de milhões de turistas estrangeiros que visitam a Cidade da Luz a cada ano.

Mas enquanto os hotéis permanecem praticamente vazios, muitos cafés e restaurantes que reabriram há mais de um mês estão tentando passar pela crucial temporada de verão graças à clientela nacional. No Jules Verne, o famoso restaurante gastronômico da Torre Eiffel, as reservas estão completas para todo o mês de julho. E, excepcionalmente, a maioria dos clientes é francesa.

O mesmo é observado nos Bateaux Mouches, os barcos que cruzam o rio Sena, onde agora o francês falado mais do que antes. "A clientela francesa é claramente a mais numerosa. Temos muitas famílias em cruzeiros à tarde, graças à entrada gratuita para crianças menores de 12 anos introduzida neste verão", disse um porta-voz da empresa Sodexo, que administra os cruzeiros. A medida tenta compensar turistas dos Estados Unidos e da América Latina, "dois importantes clientes ausentes este ano", acrescentou o porta-voz.

Cidade sem turistas estrangeiros

"Para os franceses, o verão será realmente a oportunidade de uma vida para aproveitar ao máximo Paris e seus hotéis, restaurantes, lojas, parques de diversões e museus abandonados por turistas estrangeiros", comentou Vanguélis Panayotis, presidente da empresa especializada em turismo e hotelaria MKG Consulting.

Com a chegada do tempo mais agradável, os parisienses também estão aproveitando os terraços de cafés e restaurantes que foram excepcionalmente autorizados a se espalhar durante o verão em calçadas, estacionamentos e até em algumas ruas pequenas para tentar compensar as perdas de dois meses. "Sem os terraços, estávamos mortos", comentou o proprietário do restaurante Le Bistrot d'à côté Flaubert, Stéphane Manigold, localizado no noroeste da capital francesa.

Manigold conseguiu gerar entre 70% e 80% dos lucros de um mês normal de julho. Embora os monumentos, cruzeiros e restaurantes tenham conseguido se adaptar, os que mais sofrem são os profissionais do hotel.

"Dois terços dos hotéis da capital francesa estão vazios neste verão e menos da metade foram reabertos, algo nunca visto antes", disse Panayotis. "Se a situação não melhorar, toda uma indústria está em perigo", acrescentou Panayotis.

A França é o principal destino turístico do mundo, com 90 milhões de visitantes por ano. Paris e sua região receberam 50 milhões de turistas no ano passado. A França já pode receber visitantes dos países da Europa desde 15 de junho, mas uma grande parte de turistas vem de regiões como América Latina, Estados Unidos e Ásia, regiões onde a maior parte das restrições de viagem seguem em vigor. / AFP 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.