Armando Franca / AP
Armando Franca / AP

Com quem os socialistas de Portugal poderão se unir para governar?

Partido Socialista do premiê António Costa venceu eleições, mas sem conquistar maioria parlamentar; veja os possíveis aliados

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de outubro de 2019 | 11h47

LISBOA - O Partido Socialista do primeiro-ministro António Costa venceu as eleições gerais de domingo, 6, e viu seu poder reforçado em Portugal, mas sem conquistar a maioria parlamentar.

Os socialistas, que governaram os últimos quatro anos com o apoio dos partidos da esquerda radical, conquistaram 106 cadeiras das 203 que integram a Assembleia, enquanto o principal partido de oposição, o Social-Democrata (PSD), teve 77 deputados eleitos. 

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Diante disso, os socialistas precisarão novamente do apoio de pelo menos outro partido para conseguir levar adiante suas propostas. Veja abaixo uma lista de possíveis aliados de Costa no novo mandato.

Bloco de Esquerda (BE)

Criado em 1999 a partir da fusão do Partido Socialista Revolucionário (PSR), da União Democrática Popular (UDP) e de um movimento criado por ex-comunistas, este bloco tem relação com o espanhol Podemos e o grego Syriza. Tem 19 deputados, a mesma bancada eleita nas legislativas de 2015.

O partido é próximo aos Comunistas - a outra formação que deu apoio aos Socialistas - em sua política econômica, mas é menos relutante no que diz respeito à adesão de Portugal à União Europeia (UE). Além disso, defende políticas liberais em temas sociais, como a legalização da eutanásia e da maconha

A líder do partido, a ex-atriz Catarina Martins, de 46 anos, afirmou que a formação "está disposta a negociar um acordo que garanta a estabilidade do país". 

Coalizão Comunista-Verde

Ao contrário da maioria de seus pares europeus, o Partido Comunista de Portugal nunca renunciou à ortodoxia marxista e rejeita instituições como a UE, o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional por serem capitalistas. 

A principal força da oposição ao regime ditatorial que caiu em 1974 estabeleceu uma coalizão com os Verdes desde a criação do partido ecologista, em 1982. A aliança conquistou 12 cadeiras no Parlamento, cinco a menos que em 2015.

A média de idade de sua base eleitoral é elevada e se concentra na região do Alentejo, sul do país, e no cinturão industrial de Lisboa, onde governa vários municípios. 

Desde 2004 é liderada por Jerónimo de Sousa, ex-metalúrgico de 72 anos, e demonstra menos flexibilidade que o Bloco de Esquerda. 

Pessoas-Animais-Natureza (PAN)

Fundado em 2009 por um filósofo budista, o partido entrou pela primeira vez no Parlamento em 2015, quando conquistou uma cadeira. Nas eleições de domingo conseguiu a eleição de quatro deputados. 

Muito ativo nas redes sociais, o partido pede a proibição das touradas, a redução dos impostos para os alimentos dos animais de estimação e a criação de uma rede de praias com acesso liberado aos animais, além de medidas para reduzir as emissões de poluentes.

O partido votou a favor dos orçamentos de Costa e se declarou aberto a apoiar um Executivo socialista em troca de concessões a algumas de suas propostas.

"Nosso objetivo é influenciar quem governa", disse o líder do PAN, André Silva, um vegetariano que é fã da biodança. 

Ao contrário do Bloco de Esquerda e da Coalizão Comunista-Verde, o PAN não se opõe à adesão de Portugal à Otan ou às regras orçamentárias impostas pela UE. 

Costa também afirmou que conversaria com o partido ecossocialista LIVRE, que entrou pela primeira vez no Parlamento, com um deputado. / AFP

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