Andrew Harnik/AP
Andrew Harnik/AP

Com reabertura da embaixada americana, cubanos esperam agilidade em trâmites

População já formava filas em frente à sede diplomática dos EUA em Havana para pedir visto, mas esperança aumenta após retomada das relações

O Estado de S. Paulo

22 de julho de 2015 | 09h08

HAVANA - Após a reconciliação diplomática com os Estados Unidos, os cubanos veem a nova etapa com o país vizinho com esperança de que o simbolismo do momento represente melhoras concretas em seu cotidiano.

A reabertura das embaixadas foi a notícia de terça-feira na imprensa cubana (toda controlada pelo Estado) com grandes manchetes como "Livre e soberana". O jornal Granma dedicou sua fotografia à bandeira cubana tremulando no mastro da Embaixada de Cuba em Washington.

As ruas de Havana pareciam tão normais quanto antes do histórico 20 de julho de 2015, inclusive no entorno da embaixada americana onde, como todos os dias, centenas de cubanos faziam fila para solicitar ou tramitar vistos para viajar ao país.

A diferença é que muitos cubanos mostraram esperança de que esses trâmites sejam agilizados a partir de agora. Nilsa, moradora de Matanzas, afirmou que "as pessoas estão contentes porque a reaproximação porá fim às divergências entre os dois países".

"Eu acredito que os EUA poderão nos ajudar, eles têm muito a aproveitar de Cuba e Cuba dos EUA, vamos nos ajudar. Cada um pega o que vê de bom e descarta o que acha ruim", dizia a otimista Rosa Elena Navarro de Villa Clara, que fazia fila no chamado "Parque dos Lamentos", limite da sede diplomática americana.

Após 54 anos de relações rompidas, tempo em que os EUA foram considerados o "inimigo" em Cuba, muitos na ilha confessam que não imaginavam este momento: "era difícil conceber, mas tudo é possível", disse Malena, jovem de 25 anos que acredita que a nova etapa "será boa para a economia e para as relações entre as pessoas".

"Eu espero que tudo melhore agora, estou muito contente, pela minha menina, pela minha família, por mim mesma, por todos os cubanos", comentou Bárbara enquanto sua filha tentava se conectar à internet na nova área de wifi livre.

Mais analítico, Darío, um jovem jornalista de 26 anos, declarou que "atualmente o restabelecimento de relações diplomáticas não beneficia mais o cubano médio do que no plano simbólico, no plano da esperança, de que as coisas devem melhorar porque o entendimento sempre é bom".

Para ele, o desejável é que essas novas relações se revertam "desde a base, a partir do cidadão comum, em intercâmbios comerciais, técnicos, culturais, que se traduzam em benefícios pessoais e para o país". "O entusiasmo é bom, mas é preciso esperar um pouco."

Após a bandeira cubana ser içada na embaixada em Washington, os cubanos aguardam agora outra data histórica na agenda do degelo com os EUA: a visita do secretário de Estado John Kerry em 14 de agosto.

O primeiro-secretário de Estado dos EUA que viajará para Cuba desde 1945 liderará em Havana a cerimônia formal da reabertura da sede diplomática americana, momento em que as faixas e estrelas da bandeira americana voltarão a tremular sobre o Malecón de Havana, onde fica a embaixada.

Papa Francisco. Neste ano da reconciliação com os EUA, Cuba se prepara também para outro importante acontecimento, em setembro: a visita do papa Francisco, cuja mediação foi chave na aproximação entre Havana e Washington.

Para a Igreja Católica cubana, a reabertura de embaixadas é um acontecimento "transcendental" que "encoraja a esperança para muita gente de uma melhor relação entre ambos os povos, o que facilitará a comunicação e a troca", disse o padre José Félix Pérez, secretário adjunto da Conferência de Bispos da ilha.

"Acredito que tudo isto terá um efeito muito positivo, alinhado ao que o papa tanto propõe: o diálogo, o entendimento, o criar pontes", acrescentou o religioso. /EFE

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