ARIS MESSINIS / AFP
ARIS MESSINIS / AFP

Com resposta rápida e isolamento, Grécia vira exemplo de contenção do vírus na Europa

Combinação de atuação ágil do governo e pessoas levando a sério medidas de distanciamento social, país tem 2.207 casos e 105 mortes

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2020 | 12h42

ATENAS - Com a proibição de aglomerações de massa e quarentena há quatro semanas para impedir a propagação do novo coronavírus, a Grécia tem conseguido controlar a pandemia e é vista como exemplo na Europa - assim como a Alemanha. O país registra, até o momento, 2.207 casos confirmados e 105 mortes. A rápida resposta e o respeito da população às medidas explicam os resultados.

Agora, o país de 11 milhões de habitantes se prepara para uma Páscoa ortodoxa silenciosa, sem as celebrações tradicionais, os eventos nas igrejas, fogos de artifícios ou grandes reuniões familiares. "Nos anos em que vivi, nunca vi qualquer coisa assim. Passamos por guerras e as igrejas estiveram sempre abertas", disse o bispo Ierotheos, porta-voz da Igreja, que afirmou apoiar as medidas de restrição da movimentação de pessoas.

As missas nas igrejas serão realizadas sem fiéis, até mesmo a da meia-noite de sábado, quando milhares de gregos normalmente se reúnem para ouvir a liturgia da ressurreição. "A igreja não é um lugar apenas. Não são apenas as paredes e um telhado, mas um modo de vida", disse o bispo. "Existe outra maneira de encontrar Deus."

Agilidade

O governo do primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis organizou um plano de atuação contra a pandemia ainda em janeiro. Além de preparar uma resposta com antecedência, a população grega tem cumprido as medidas com rigor - para os que não cumprem, há policiamento. O chefe de Estado enalteceu o papel dos gregos nesta semana em um discurso televisionado e disse que qualquer trégua na luta contra o vírus poderia fazê-lo voltar. A popularidade de Mitsotakis subiu na gestão da crise. Os números gregos são muito diferentes de Itália, França e Espanha, que, somadas, têm quase 60 mil mortes. 

"É uma das poucas vezes em que entendemos que as autoridades estão fazendo algo pelo bem público, e não contra. E é auto-preservação", explica o professor Christos Kechagias, da Universidade de Atenas. "Também é importante que um cientista discreto foi escolhido para liderar esta crise".

O governo fortaleceu o sistema de saúde, criou um comitê de especialistas, elevou o controle nas fronteiras, portos e aeroportos, elaborou uma estratégia de comunicação para engajar a população e esteve em contato com órgãos de saúde da Europa e do mundo. Escolas e universidades foram fechadas menos de duas semanas depois do primeiro caso. Na prática, seguiu todas as recomendações repetidas pelas lideranças da Organização Mundial da Saúde (OMS) desde o início da pandemia. 

Sotiris Tsiodras, principal consultor científico do governo sobre a pandemia, tem dado briefings televisionados todos os dias. Em uma pesquisa de opinião transmitida pela TV Alpha nesta semana, os gregos escolheram o despretensioso médico de 54 anos, que estudou na Universidade de Harvard, como a pessoa mais popular em Grécia. / Com informações da Reuters

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