AP/Matt Rourke
AP/Matt Rourke

Com Trump à frente, republicanos têm prévia crucial na Carolina do Sul

Partido realiza hoje mais uma etapa do processo para escolher seu candidato na eleição de novembro

O Estado de S. Paulo

20 de fevereiro de 2016 | 02h00

SANTEE, EUA - O Partido Republicano realiza neste sábado no Estado da Carolina do Sul a terceira etapa de sua escolha de um candidato para disputar a presidência americana em novembro e Donald Trump, o bilionário empresário de Nova York, aparece mais uma vez como favorito. Uma “grande vitória” seria fundamental para que ele consiga a indicação.

“Se vencermos na Carolina do Sul, acho que podemos vencer todas as primárias”, disse Trump a uma multidão de simpatizantes em Walterboro, frase que ele repetiu em todas as partes do Estado que visitou durante a semana.

Alguns analistas são céticos a respeito dessa afirmação, assim como os rivais de Trump nas primárias republicanas: Ted Cruz, Marco Rubio, Jeb Bush, John Kasich e Ben Carson. Todos concorrem com Trump na Carolina do Sul e no restante do país.

Enquanto o magnata lidera as pesquisas na Carolina do Sul e na maioria dos demais Estados por uma ampla margem, seus oponentes destacam indícios de que o apoio a Trump pode estar recuando. Uma pesquisa da NBC News/Wall Street Journal, divulgada na quarta-feira, deu a Cruz uma pequena vantagem sobre Trump entre os republicanos em âmbito nacional: 28% a 26%.

Rubio ficou em terceiro, com 17%, seguido por Kasich (11%), Carson (10%) e Bush (4%). “Há um novo líder nacional na corrida republicana”, declarou Cruz, senador pelo Texas, a seus partidários na Carolina do Sul.

Rubio, senador pela Flórida, fez aparições na Carolina do Sul com dois importantes apoiadores: a governadora Nikki Haley e o senador Tim Scott. Os dois citaram o passado do Estado de escolher eventuais candidatos republicanos. “Nós fazemos presidentes”, declarou Haley aos partidários de Rubio.

Como nas primárias anteriores na Carolina do Sul, as de hoje também tiveram sua parcela de ataques políticos e de uso de supostos truques sujos. Trump ameaçou processar Cruz por sua elegibilidade, citando o fato de ele ter nascido no Canadá. Cruz disse a Trump para trazer o assunto para discussão, lembrando que sua mãe era uma cidadã americana. Trump e Cruz acusaram-se mutuamente de dizer mentiras. A mesma coisa ocorre entre Cruz e Rubio.

Mais oponentes. Bush, ex-governador da Flórida, também é um dos que estão no encalço de Trump na Carolina do Sul. Com o apoio do veterano senador pelo mesmo Estado, Lindsey Graham, Bush afirmou que Trump não é um conservador e está apenas tentando “sequestrar” o Partido Republicano para seu uso pessoal.

Carson e Kasich são considerados azarões na Carolina do Sul. Kasich, governador de Ohio que terminou na segunda colocação – atrás de Trump – nas primárias de New Hampshire, também faz campanha nesta semana em Michigan, preparando-se para a série de primárias de março no Meio-Oeste.

A estratégia do bilionário de vencer as primárias em todos os Estados tem sido questionada por analistas políticos que afirmam que uma das razões pelas quais Trump está indo bem é que seus oponentes estão dividindo o que parece ser um considerável voto anti-Trump, situação que vai mudar assim que alguns candidatos deixarem a corrida.

David Woodard, professor de ciências políticas da Clemson University, disse que Trump parece atrair uma parte do voto republicano, enquanto seus oponentes dividem a maioria. “Quando o campo se estreitar, ele vai começar a cair e eles começarão a subir”, afirmou Woodard, que também é consultor republicano, mas não declarou sua preferência na corrida presidencial.

Tradição de vitória. Durante décadas, os republicanos da Carolina do Sul se orgulharam de escolher o candidato que, ao fim do processo de escolha, concorrerá de fato à presidência pelo partido. 

Os vencedores das primárias da Carolina do Sul foram os indicados do partido nas eleições de 1980 (Ronald Reagan), 1988 (George H.W. Bush), 1996 (Bob Dole), 2000 (George W. Bush) e 2008 (John McCain). Em 2012, Newt Gingrich venceu no Estado, mas logo depois desistiu da corrida. / USA TODAY


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