WALTER PACIELLO|PRESIDENCIA URUGUAY - 5|7|16
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Com Uruguai isolado, Mercosul discute futuro da Venezuela

Reunião de chanceleres debate o pedido do Paraguai de impedir que Caracas assuma a presidência do bloco

Rodrigo Cavalheiro, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

10 Julho 2016 | 21h27

Uma reunião de chanceleres do Mercosul convocada a pedido da diplomacia paraguaia discutirá hoje em Montevidéu, Uruguai, o futuro da Venezuela, motivo de uma divisão cada vez mais profunda entre os integrantes do bloco.

O Paraguai é o país que mais pressiona pela suspensão de Caracas do grupo por meio da cláusula democrática que permite punir integrantes que violem direitos humanos. No outro extremo está o Uruguai, que não apenas é contra uma sanção como defende que Caracas assuma a presidência semestral amanhã, como previsto no regimento.

No meio da disputa estão Argentina e Brasil, que têm evitado pressionar por uma sanção ao governo de Nicolás Maduro, mas são contrários à transmissão da presidência – que poderia prejudicar negociações com outros blocos econômicos.

Os argentinos sugerem que a coordenação permaneça com o Uruguai ou seja passada a eles – o que deveria ocorrer apenas após a presidência ser ocupada pela Venezuela. O Brasil pediu na semana passada, em uma visita do chanceler José Serra, acompanhado do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que Montevidéu adie para agosto uma decisão sobre a passagem do cargo. No dia seguinte, a diplomacia uruguaia negou que tivesse aceitado a sugestão.

Na reunião de hoje, faltarão os chefes da diplomacia das duas posições moderadas. Serra e a chanceler argentina, Susana Malcorra, mandaram representantes ao encontro, no qual não haverá integrantes da Venezuela. 

O enfrentamento deve se concentrar entre o uruguaio Rodolfo Nin Novoa e o paraguaio Eladio Loizaga. Na véspera da reunião, o chanceler paraguaio acusou o governo uruguaio de permitir que uma sintonia ideológica com o governo de Nicolás Maduro interfira no bloco. “Não podemos esquecer que no Uruguai há um partido, a Frente Ampla, que está no governo neste momento e deve haver uma proximidade importante. Lamentavelmente a identificação ideológica atrasa o Mercosul”, disse Loizaga ao jornal ABC Color.

Ainda que seja apresentado formalmente por Assunção, o pedido de afastamento de Caracas do bloco esbarraria na posição uruguaia. É necessária unanimidade para o uso da ferramenta da cláusula democrática, pela qual o Paraguai foi punido em 2012, após o impeachment relâmpago de Fernando Lugo.

Nin Novoa tem insistido que Caracas se enquadra em uma “democracia autoritária”, mas não vê quebra de institucionalidade que justifique uma punição. “Quando o Parlamento for fechado, concordarei com Loizaga”, disse o uruguaio há uma semana. 

A imprensa e analistas políticos uruguaios lembram com frequência que em 2012 o Uruguai foi pressionado por Brasil e Argentina a aceitar a suspensão de Assunção, o que permitiu o ingresso de Caracas no bloco. Desta vez, Montevidéu resiste a fazer o movimento contrário, que seria contra o governo Maduro.

Críticas. Na semana passada, após a visita de Serra ao Uruguai, a chanceler venezuelana, Delcy Rodríguez, reagiu de maneira crítica. “A República Bolivariana da Venezuela rechaça as insolentes e amorais declarações do chanceler de facto do Brasil”, escreveu no Twitter. 

Ela insistiu que no Brasil há um golpe de Estado e atacou a nova postura do governo. “O chanceler de facto José Serra se soma à conspiração da direita internacional contra a Venezuela e viola princípios básicos que regem as relações internacionais”.

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