Susan Walsh/AP
Susan Walsh/AP

Com US$ 86 milhões em doações, Obama antecipa campanha

Presidente já gastou US$ 27 milhões para preparar infraestrutura em Estados que podem ser decisivos

Luiz Raatz, de O Estado de S. Paulo,

10 de janeiro de 2012 | 21h51

SÃO PAULO - Sem rival nas primárias democratas, o presidente americano, Barack Obama, saiu na frente na disputa pelo financiamento da campanha para a eleição de novembro. Segundo a comissão eleitoral americana (FEC), entre abril e setembro, Obama arrecadou US$ 86,2 milhões, 48% do total. Os 12 pré-candidatos republicanos dividem os 52% restantes, com destaque para Mitt Romney, que levantou US$ 32,2 milhões.

 

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De acordo com analistas, sem ter de se preocupar com a disputa interna e com dinheiro de sobra, Obama está se concentrando em construir uma campanha eficiente para a eleição presidencial. Para isso, o democrata usa em seu favor a obrigação formal de participar das primárias de seu partido mesmo sem ter rival.

 

"A campanha de Obama está aproveitando essa oportunidade para construir uma infraestrutura e começar uma campanha de anúncios contra o Partido Republicano", diz o especialista em política americana Thomas Mann, do Brookings Institute.

 

Um dos fatores que contribuem para a arrecadação do democrata é o crescimento de sua eficiente rede de pequenas doações feitas pela internet, além de doações feitas diretamente a seu escritório de campanha pelo comitê nacional do partido. Segundo a ONG Open Secrets, entre abril e setembro as contribuições de até US$ 200 responderam por 52% do faturamento de Obama - no mesmo período, em 2007, quando o candidato arrecadou US$ 80,3 milhões, elas foram 27%.

 

Para o professor Anthony Corrado, da Universidade de Colby, especialista em financiamento de campanhas nos EUA, Obama deve arrecadar muito mais do que os US$ 745 milhões obtidos para a campanha de 2008. “Mais de um milhão de pessoas já contribuíram com ele e o balanço do último trimestre deve mostrar que o número de doações pela internet cresceu muito”, prevê. “Além disso, ele tem organizado muitos eventos com grandes doadores.”

 

Essa vantagem financeira possibilita ao presidente antecipar sua preparação para a eleição de novembro. Ainda de acordo com o levantamento da Open Secrets, Obama gastou US$ 27,1 milhões nas atuais primárias e ainda tem em caixa outros US$ 59 milhões. “Ele já está contratando equipe e montando uma rede de voluntários em Estados que serão importantes no colégio eleitoral”, acrescenta Corrado. "Além disso, está coletando e-mails, investindo em suas contas no Twitter e no Facebook para entrar em contato com os eleitores ao longo do ano eleitoral."

 

Um exemplo disso foi a mobilização democrata em Iowa, na semana passada. Ali, a campanha de Obama montou oito escritórios, com uma rede de voluntários que organizou 1,4 mil eventos no Estado. Na noite do caucus, 25 mil pessoas reuniram-se para referendar a candidatura de Obama e participar de uma videoconferência com ele.

 

Disputa acirrada

 

O dinheiro também é um fator preponderante nas primárias republicanas. Com a menor arrecadação entre os cinco pré-candidatos ainda na corrida, o ex-senador Rick Santorum viu as doações para sua campanha crescerem exponencialmente após o segundo lugar em Iowa. Até setembro, segundo a FEC, ele recebera apenas US$ 1,2 milhão. Nos dois dias que se seguiram à prévia, ele arrecadou US$ 2 milhões, segundo projeção a rede de TV ABC.

 

"Santorum precisará engordar sua conta bancária para divulgar suas propostas”, diz a diretora da ONG Open Secrets, Viveca Novak. “O dinheiro, obviamente, é um fator muito importante nesta campanha.” Para analistas, no entanto, o dinheiro é essencial para manter uma campanha longa, mas não determina seu resultado. “O dinheiro procura os candidatos fortes, mas não os produz”, avalia Mann.

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