Com venda de canal, oposição perde força

A mudança de dono da Globovisión, que na segunda-feira teve 80% de suas ações vendidas para um grupo de empresários, representa, na opinião de analistas venezuelanos, uma perda para a oposição venezuelana, que tinha no canal um meio de divulgação de suas propostas, assim como de críticas ao governo chavista.

LUIZ RAATZ, O Estado de S.Paulo

13 de março de 2013 | 10h59

O canal foi comprado pelo empresário Juan Domingo Cordero, dono da companhia de seguros La Vitalicia e ex-corretor da bolsa nos anos 90. Cordero foi proprietário do Banco Barinas e do Grupo Cordillera, que quebraram em 1994. O empresário mantém negócios com o governo chavista.

"A Globovisión tornou-se nos últimos anos um partido político, mais do que um canal de televisão. É uma perda para a liberdade de expressão e o juízo crítico na Venezuela", avaliou o sociólogo Omar Noria, da Universidade Simón Bolívar (USB) . "Com Domingo Cordero, que é um homem muito próximo do governo, à frente da emissora, espera-se que mude a linha editorial do canal. Temos de esperar, mas tudo indica que o governo finalmente pôs as mãos na Globovisión."

As famílias Zuloága e Nuñez, que venderam suas partes na emissora, justificaram o negócio afirmando que a venda foi necessária para manter a Globovisión no ar e evitar demissões. Nos últimos anos, o canal tem sofrido várias sanções por supostas violações de regulamentações da agência do governo que controla a mídia. Em 2009, a Globovisión foi multada em US$ 2,3 milhões.

Na noite de segunda-feira, Guillermo Zuloága, o principal acionista do canal, atribuiu a venda a dificuldades financeiras. Segundo ele, as receitas caíram, os custos da operação aumentaram e fracassaram os esforços para eleger Henrique Capriles na eleição presidencial do ano passado. O atual governador de Miranda foi derrotado pelo presidente Hugo Chávez.

"Somos economicamente inviáveis. Nossas receitas não cobrem nossos gastos", disse por meio de nota. "Somos politicamente inviáveis, pois estamos em um país completamente polarizado e contra um governo que quer nos ver falhar."

A mudança de donos ocorrerá em 15 de abril, um dia depois das eleições presidenciais venezuelanas, entre o presidente interino Nicolás Maduro e Capriles. Para o analista da USB, o governo deve manter a retórica de Chávez contra a imprensa privada na curta campanha eleitoral. "Maduro já deu mostras de que seguirá o discurso", disse.

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