Com viagens, Uribe evita armadilha da Unasul

Colombiano visita 7 países, dribla reunião dominada por opositores e ganha respeito na região

João Paulo Charleaux, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2009 | 00h00

Com uma maratona de viagens internacionais para explicar a cessão de bases militares aos EUA, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, conseguiu obter o respeito dos presidentes visitados. "O que não significa necessariamente obter o respaldo de todos eles", disse ao Estado a diretora executiva do Instituto de Ciência Política da Colômbia, Marcela Prieto Botero."Uribe não viajou em busca de autorização para seguir adiante com o acordo. Ele apenas fez um cálculo realista de explicar sua posição em reuniões privadas e bilaterais", disse Marcela."Ao visitar sete presidentes sul-americanos em três dias, Uribe evitou se expor ao show que alguns líderes certamente armariam para a Colômbia na reunião de Quito", disse ela, em referência à próxima reunião dos 12 países-membros da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), marcada para segunda-feira, na capital do Equador. Há uma semana, Uribe desmarcou sua ida a Quito, esvaziando a proposta feita pelo presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, que pediu que a questão das bases fosse debatida por todos os países da Unasul. Ao trocar a cúpula pelas visitas individuais, o presidente colombiano evitou se expor aos ataques de pelo menos dois rivais de peso: o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e o equatoriano Rafael Correa. Ambos são acusados por Bogotá de manter ligações com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Segundo o governo colombiano, Chávez repassa armas aos guerrilheiros e Correa recebeu doações das Farc para sua campanha à presidência do Equador. Ambos negam as acusações e dizem que Uribe faz uma campanha midiática para ofuscar o debate sobre a presença militar americana na Colômbia. "Não tenho dúvida de que o encontro de Quito seria uma grande cilada que Uribe soube habilmente evitar", disse Marcela.SURPRESASEmbora tenha desarmado parte da resistência ao acordo em países como Peru, Brasil e Chile, Uribe só poderá medir completamente os resultados de seu esforço diplomático na próxima semana.Ao reunirem-se em Quito, sem a presença do presidente colombiano, "os presidentes que realmente se opõem ao acordo poderão protestar com força", prevê a americana Arlene Tickner, cientista política da Universidade dos Andes, de Bogotá."Era de se esperar que, depois de um encontro pessoal a portas fechadas, a maioria dos presidentes optasse por declarações diplomáticas que reforçam o respeito à soberania colombiana", disse ela. O mesmo pode não acontecer em Quito, num "encontro entre iguais".Arlene disse também que a viagem de Uribe foi marcada por "um novo esforço pessoal e intempestivo" do presidente colombiano. Segundo ela, Uribe, nos momentos de crise, "vende a ideia de que pode resolver todos os contratempos sozinho, mesmo quando os problemas são causados por atitudes dele mesmo".

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