EFE/Jorge Torres
EFE/Jorge Torres

Com violência, oposição na Nicarágua cresce e Ortega se isola 

Mortes no fim de semana agravam situação na Nicarágua; comunidade internacional condena repressão 

O Estado de S.Paulo

16 Julho 2018 | 21h11

MANÁGUA  - Milhares de nicaraguenses tomaram as ruas de Manágua nesta segunda-feira, 16, para exigir justiça para as vítimas de uma violenta repressão durante protestos contra o presidente Daniel Ortega no fim de semana. As manifestações, que deixaram 12 mortos, ocorreram quando forças do governo atacaram opositores em Monimbo e na cidade vizinha de Masaya. 

A violência que tem assolado o país há três meses ganhou força nos últimos três dias quando grupos armados e policiais leais ao presidente também cercaram universidades ocupadas por manifestantes que desafiam o governo. 

+ The Economist: A violência de Daniel Ortega na Nicarágua

Os ataques atraíram condenação internacional, isolaram o governo nicaraguense e acentuaram a oposição local a Ortega, ex-líder de uma guerrilha marxista que enfrenta hoje seu maior teste desde que retornou ao poder, em 2007.

Quase 300 pessoas morreram desde o início dos protestos, em 18 de abril, quando Ortega tentou fazer uma reforma do sistema de aposentadorias. O governo, mais tarde, desistiu do plano, mas sua resposta pesada às manifestações acabaram por transformá-las em um grande ato contra os 11 anos de seu governo.

Diálogo

Ortega diz estar aberto ao diálogo e convidou a Comissão Interamericana dos Direitos Humanos (CIDH) para visitar o país e verificar que seu governo não está cometendo abuso dos direitos humanos, como alegam algumas organizações. 

Além dos protestos convocados por estudantes hoje, parentes de vítimas da violência caminharam pelas ruas principais de Manágua carregando caixões e pedindo justiça. 

“A população não desistiu porque ainda há uma demanda nas ruas por liberdade”, disse Carlos Tünnermann, membro do Aliança Cívica por Justiça e Democracia, um dos principais grupos opositores a Ortega. A oposição pede a renúncia do presidente e eleições antecipadas para encerrar a turbulência. 

Ortega, de 72 anos, que está em seu terceiro mandato consecutivo, que se encerrará em 2021, vem aos poucos acirrando seu controle sobre as instituições da Nicarágua. Ao seu lado, tem o apoio de sua mulher, Rosario Murillo, também sua vice-presidente. 

A primeira-dama declarou hoje que o governo atua para “libertar o território” dos bloqueios de estradas e “restaurar a paz”. Ela afirmou que os protestos respondem a “um plano terrorista e golpista acompanhado por uma infame e falsa campanha midiática nacional e internacional”, disse. “Esse golpe quis impor uma minoria cheia de ódio, uma minoria sinistra, maligna, mas que não conseguiu nem conseguirá.”

Repercussão

A crise da Nicarágua será discutida em fóruns internacionais, como a reunião de chanceleres da União Europeia (UE) e a Comunidade de Estados Latino-americanos e do Caribe (Celac), que teve início hoje em Bruxelas.

A França condenou os ataques executados nos últimos dias pelas forças da polícia e paramilitares contra os manifestantes, que incluem religiosos, e pediu a retomada do diálogo com a oposição.

O embaixador americano na Organização dos Estados Americanos (OEA), Carlos Trujillo, por sua vez, adiantou que a questão da Nicarágua voltaria esta semana à agenda do fórum continental. “A violenta repressão do governo com o uso de turbas sandinistas é inaceitável. Os Estados Unidos ficarão responsáveis pelos violadores de direitos humanos”, comentou Trujillo no Twitter.

Heather Nauert, porta-voz do Departamento de Estado, exigiu  o fim da violência e eleições antecipadas. “Eleições antecipadas, livres e justas, são o melhor caminho para a democracia ed o respeito aos direitos humanos na Nicarágua.” / REUTERS, EFE e AFP

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