Efe
Efe

Com Zuma sob críticas, África do Sul realiza eleição parlamentar

Votação é a primeira desde a morte do líder antiapartheid Nelson Mandela, no ano passado

O Estado de S. Paulo,

07 Maio 2014 | 08h01

PRETÓRIA - A África do Sul realiza nesta quarta-feira, 7, a primeira eleição com a participação da geração nascida após o apartheid. A votação é também a primeira depois da morte do líder antirracismo Nelson Mandela. As pesquisas indicam maioria do Congresso Nacional Africano (CNA), partido do presidente Jacob Zuma.

O apoio ao CNA está em torno de 65%, segundo pesquisa do jornal Sunday Times. O índice está levemente abaixo dos 65,9% conquistados na eleição de 2009.

O apoio ao CNA surpreendeu os analistas, que um ano atrás diziam que o partido poderia penar nas urnas, já que o seu passado glorioso virou história e os eleitores se concentraram no lento crescimento econômico e na série de escândalos que caracterizaram o primeiro mandato de Zuma.

A economia mais sofisticada da África enfrentou dificuldades para se recuperar da recessão de 2009 - a sua primeira desde o fim do apartheid em 1994 - e os esforços do CNA para estimular o crescimento e lidar com uma taxa de desemprego de 25%  foram prejudicados por poderosos sindicatos.

O principal organismo anticorrupção do país acusou Zuma neste ano de "se beneficiar irregularmente" de uma reforma paga pelo Estado em sua casa particular em Nkandla no valor de US$ 23 milhões que incluiu uma piscina e um galinheiro.

A taxa de aprovação pessoal de Zuma caiu desde as revelações. Mas, em uma entrevista coletiva nesta semana para concluir a campanha do CNA, o líder de 72 anos minimizou as insinuações de que o imbróglio esteja prejudicando o partido.

"Não estou preocupado com (a casa em) Nkandla", disse Zuma. "O povo não está preocupado com isso. Acho que as pessoas que estão preocupadas com isso são vocês, a mídia, e a oposição."

O escândalo da reforma em sua propriedade expôs a divisão entre líderes atuais e antigos do CNA, em especial Nelson Mandela, primeiro presidente negro do país, que morreu em dezembro.

Também se tornou o grito de guerra daqueles que acham que o domínio do CNA, que inicia a sua terceira década no poder, corrompeu a alma do antigo movimento de libertação de 102 anos de existência.

"Não é necessariamente a enorme quantia paga pelo poder público o aspecto mais corrupto do caso envolvendo a propriedade rural de Zuma", afirmou o jornal Business Day em um editorial nesta semana.

"É a forma como este negócio miserável envolveu tantos outros: ministros, burocratas, autoridades de partido e, à medida que a eleição se aproxima, seguidores comuns."

O rival mais próximo do CNA, a Aliança Democrática, teve apenas 16,7% dos votos em todo o país em 2009 e, embora tenha ganhado espaço, o partido ainda é visto como a casa política dos brancos privilegiados.

Em vez disso, o maior desafio veio dos ultraesquerdistas Combatentes pela Liberdade Econômica (EFF, na sigla em inglês), liderados por Julius Malema, expulso da Liga Jovem do CNA e que se espelha no ex-presidente da Venezuela Hugo Chávez.

Em seu último comício em um estádio de futebol em Pretoria, Malema, que quer nacionalizar bancos e minas, além de tomar fazendas de propriedade de brancos sem pagar uma compensação, criticou desde as denúncias de corrupção aos investidores estrangeiros e ex-potências coloniais. No entanto, mesmo o surgimento do  EFF não deverá ter um impacto na eleição, já que as pesquisas mostra o apoio ao movimento entre 4% e 5%.

As urnas estarão abertas das 2h às 16h (horário de Brasília).

A expectativa é de que os resultados já estejam disponíveis a partir do meio-dia de quinta-feira. Quase 25,4 milhões de eleitores, de uma população de 53 milhões de pessoas, se inscreveram para votar. / REUTERS

Mais conteúdo sobre:
ÁFRICA DO SUL ELEIÇÕES

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.