Comandante da Otan diz que incursões russas no espaço aéreo europeu estão 'mais provocadoras'

O principal comandante da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) disse nesta segunda-feira que as recentes incursões no espaço aéreo europeu por caças e bombardeios de longo alcance russos incluem formações maiores e mais complexas de aeronaves voando em rotas mais "provocativas" do que o normal.

REUTERS

03 de novembro de 2014 | 17h02

O general da Força Aérea dos Estados Unidos, Philip Breedlove, comandante supremo das forças aliadas na Europa, disse que os aliados da Otan ainda não conversaram diretamente sobre os voos com os líderes russos porque as incursões são bastante comuns e não são discutidas desde que sejam realizadas de maneira profissional e com segurança.

"O que é significativo é que, historicamente, a maioria dessas incursões foi feita por um pequeno grupo de aeronaves, algumas vezes isoladamente ou, no máximo, com dois aviões", disse Breedlove, que também é chefe do comando europeu dos EUA, em um conferência no Pentágono.

"O que foi visto na semana passada foi uma formação maior e mais complexa de aeronaves, realizando uma trajetória de voo um pouco mais profunda e, chegaria a dizer, um pouco mais provocadora."

Os voos russos ocorrem em meio a um aumento das tensões nos últimos meses por causa da crise na Ucrânia, onde Moscou no início deste ano anexou a península da Crimeia e está apoiando grupos separatistas armados que se opõem ao governo central em Kiev.

A maior parte dos voos russos aconteceu sobre o espaço aéreo internacional no mar Báltico, no mar do Norte e no oceano Atlântico, disse uma autoridade militar dos EUA. Os voos foram realizados sem aviso prévio, ainda que a Rússia tenha concordado em divulgar os planos no âmbito de acordos da aviação civil, acrescentou a autoridade.

Os caças da Otan normalmente têm interceptado aeronaves russas entre Kaliningrado, um enclave russo no mar Báltico, e a Rússia continental, disse a autoridade.

Breedlove descreveu os voos como "problemáticos" e algo "preocupante", dizendo que eles não "contribuem para criar uma situação segura e estável".

Mas ele acrescentou que os voos foram gerenciados de uma maneira profissional pelos pilotos envolvidos, com os caças da Otan interceptando os jatos, bombardeiros de longo alcance e aviões-tanque russos, escoltando as aeronaves enquanto estavam em espaço aéreo europeu.

Breedlove disse que ainda que ele não tenha conversado sobre os voos com seus homólogos russos, "na minha opinião eles estão enviando uma mensagem para nós", tentando ressaltar que "eles são uma grande potência".

O comandante da Otan também disse que a aliança e a Rússia possuem um mecanismo para lidar com qualquer incursão que envolva um voo imprudente ou outro tipo de comportamento pouco profissional.

"Se eles estão perigosamente perto, se as manobras não são corretas, há mecanismos pelos quais nós podemos cuidar disso", disse Breedlove. "Mas se os voos ocorrem no espaço aéreo em que eles ocorreram, e se eles são conduzidos com profissionalismo... então, nós não costumamos falar sobre eles."

O comandante da Otan demonstrou preocupação sobre um certo "revanchismo russo", e o "retorno indesejável de nações usando força para coagir países vizinhos na Europa".

Ele disse que aguarda um aumento na presença rotativa dos EUA nas forças aéreas e terrestres na Europa Oriental para treinar e interagir com parceiros e aliados.

(Reportagem de David Alexander e Phil Stewart)

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