Comandante das forças de paz da ONU no Congo renuncia

General se afasta por "razões pessoais'; sede das Nações Unidas é atacada pela população por falta de segurança

Agências internacionais,

27 de outubro de 2008 | 16h32

 O comandante das forças de paz da ONU no Congo apresentou sua renúncia "por razões pessoais" depois de apenas sete semanas no cargo, segundo afirmou a organização nesta segunda-feira, 27, segundo afirmou a porta-voz Michele Montas. A saída foi anunciada no mesmo dia em que milhares de manifestantes atacaram quatro escritórios da ONU, lançando pedras contra o local, na capital provincial de Goma, por conta do descontentamento com as forças de mantenedores de paz da ONU, de 17 mil homens, que seria considerada incapaz de proteger a população local da ofensiva rebelde. Dezenas de milhares de civis tiveram que fugir de suas casas. Um porta-voz das Nações Unidas afirmou nesta segunda que as forças de paz lideradas pela ONU no Congo usaram helicópteros armados para atacar os rebeldes que tentam ocupar uma vila no leste do país.  Segundo oficiais da ONU, o protesto começou na manhã desta segunda, quando 9 ativistas congoleses organizaram uma grande multidão para marchar até a base da organização em Goma. A manifestação logo se transformou em um episódio de violência, com ataques com pedras contra o prédio e veículos. Existem informações distorcidas sobre mortes. Alguns oficiais congoleses afirmam que soldados da ONU mataram dois manifestantes; um porta-voz da ONU não foi encontrado para confirmar a informação. Segundo o jornal The New York Times, os rebeldes controlam agora as maiores cidades do país, uma base do Exército no leste do país e o quartel-general de um parque onde estão alguns dos últimos gorilas das montanhas do mundo. A ONU afirmou nesta segunda que usou helicópteros para conter a ação rebelde no leste do país. Segundo Sylvie van den Wildenberg, os soldados abriram fogo contra os rebeldes em Kibumba. Oficiais da ONU usaram helicópteros para reprimir os rebeldes em dezembro, matando centenas sob o mandato de proteger a população do país. Ainda nesta segunda, foi confirmada a informação de que um comandante das forças de paz teria renunciado.  A porta-voz afirmou que o departamento das forças de paz da ONU pretende substituir o comandante o mais breve possível, e que por enquanto o general Ishmeel Ben Quartey, de Gana, liderará as ações no país. Em uma nota separada, a organização afirmou que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, está extremamente preocupado com a deterioração da situação no leste do país e pediu para que as autoridades do país se esforcem para restaurar a calma. Violência no leste Forças militares do governo empreenderam a retirada do leste do país junto a milhares de refugiados, segundo fontes locais, que assinalaram que os soldados fogem dos rebeldes com todo tipo de veículos, incluindo blindados, enquanto os civis, com seus móveis e utensílios e gado inundam as estradas e caminhos que vão para Goma. Aparentemente tratava-se de uma retirada das forças do governo, sob ataque de rebeldes ligados ao renegado general Laurent Nkunda. Um porta-voz dos rebeldes, Bertrand Bisimwa, disse em entrevista que os combatentes estão 12 quilômetros distante de Goma.  Moradores de Katindo, uma vila cinco quilômetros distante do centro de Goma, ouviram bombas explodindo na tarde de segunda-feira. Vários funcionários da ONU afirmaram que os ataques dos manifestantes parecem algo coordenado e instigado por alguém. Eles mostraram uma carta em que um chefe do Exército provincial pede ao governo que tire proveito do "espírito irado da população".  Parte dos militares da missão da ONU se desloca em direção ao norte, onde acontece a ofensiva rebelde, enquanto em Goma centenas de pessoas atacaram, com pedras e paus, os quartéis desta missão da ONU, à qual acusam de não cumprir com o compromisso de protegê-los da guerrilha. Uma testemunha, Emmanuel Kihombo, afirmou que os manifestantes próximos da ONU também lançaram pedras em 20 estudantes tutsis. Os jovens conseguiram fugir e escaparam ilesos, segundo a fonte. O ataque é indício do sentimento contrário aos tutsis despertado pelo sucesso dos rebeldes ligados a Nkunda. Eles afirmam lutar para proteger a minoria tutsi de uma milícia ruandesa hutu que escapou para o Congo após ajudar a perpetrar o genocídio de Ruanda, em 1994. Meio milhão de tutsis foram assassinados nessa investida. Oficiais da ONU disseram que no domingo, os insurgentes de Nkunda lançaram foguetes contra dois veículos da organização. Um porta-voz do ex-general negou a responsabilidade pelo ataque, que ainda feriu vários soldados da força de paz e danificou os carros. A porta-voz da ONU afirmou ainda que não há dúvidas de que os ataques contra a população foram promovidos pelos rebeldes de Nkunda. Segundo ela, as forças de paz estão tentando remover centenas de pessoas que ainda estão presas na região do conflito nos arredores de Rumangabo, campo armado estratégico ao norte de Goma. Oficiais da ONU  Em janeiro deste ano, governo e rebeldes assinaram um tratado de paz, mas os guerrilheiros se rearmaram e retomaram os combates no meio deste ano. Desde então, o presidente Joseph Kabila se recusa a manter novas conversações com Nkunda, por considerá-lo um "terrorista". Nkunda, por sua vez, recusa-se a desarmar suas tropas por afirmar que rebeldes hutus, de Ruanda, operam na região e ameaçam a comunidade tutsi. Acredita-se que Nkunda possui 5.500 homens sob o seu comando.

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