Comandante do Costa Concordia dá aula de gestão de crise em universidade da Itália

Acusado de ser responsável pela morte de 30 pessoas no naufrágio do navio, Schettino foi criticado pela ministra da Educação

O Estado de São Paulo

06 de agosto de 2014 | 16h20

 

FLORENÇA – Ex-comandante do navio Costa Concordia, o italiano Francesco Schettino foi convidado para palestrar em um curso da Faculdade de Medicina da Universidade La Sapienza sobre “gestão de pânico e crise”. Acusado pela morte de 32 pessoas no naufrágio do cruzeiro, Schettino foi duramente criticado nesta quarta-feira (6), quando a notícia de sua palestra veio à tona na Itália, segundo a agência de notícias Ansa

De acordo com a imprensa italiana, a palestra de Schettino ocorreu em julho, a alunos do curso Master em Ciências Criminológicas. Ele relatou anedotas relacionadas à sua experiência como comandante de navio, dando destaque, sobretudo, à gestão de situações de pânico e risco. “Fui convidado como especialista e ilustrei aos estudantes a gestão do controle de pânico. Sei como se deve comportar em casos do gênero, como é preciso reagir quando há membros de etnias diferentes na equipe”, disse Schettino, que responde à Justiça pelo naufrágio do Costa Concordia, em janeiro de 2012, na ilha de Giglio. 

A ministra da Educação da Itália, Stefania Giannini, considerou o fato “desconcertante”. O reitor da La Sapienza, Luigi Frati, também condenou a escolha de Schettino para a palestra e anunciou o afastamento dos professores que fizeram o convite. “Uma escolha indigna e inoportuna a de convidar uma pessoa em julgamento por crimes tão graves para uma aula em uma comunidade educacional. Schettino é um personagem negativo, responsável pela morte de 30 pessoas. No seu lugar, eu me esconderia”, disse Frati. 

Nas redes sociais, os internautas italianos demonstraram indignação com o acontecimento. O navio Costa Concordia naufragou após colidir com rochas na ilha de Giglio. A embarcação tombou e ficou encalhada no local até o mês passado, quando uma complexa operação permitiu seu reboque até o porto de Gênova.

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