Comandante do Costa Concordia diz que tem 'problemas de visão'

Comandante do Costa Concordia diz que tem 'problemas de visão'

Acusado de ser responsável pelo naufrágio do navio de cruzeiro que tombou em 2012, Schettino fala em sua própria defesa na Itália

O Estado de S. Paulo

02 de dezembro de 2014 | 20h46



GROSSETO, ITÁLIA - Francesco Schettino, acusado por sobreviventes, políticos e os meios de comunicação italianos de abandono do dever durante o naufrágio do navio de cruzeiro Costa Concordia, testemunhou em sua própria defesa pela primeira vez nesta terça-feira, 2, com atitude desafiadora e gesticulando ao ser questionado por promotores italianos. Ele pode ser condenado a até 22 anos de prisão. 

Schettino admitiu que tem problemas de visão e disse que resolveu aproximar o navio de cruzeiro da ilha de Giglio por motivos "comerciais", não "pessoais". Ele ficou conhecido como "o capitão covarde" por ter abandonado o navio antes dos passageiros durante o naufrágio que resultou na morte de 32 pessoas.

Em um interrogatório conduzido em Grosseto pelo procurador Alessandro Leopizzi, Schettino negou que tenha tentado manobrar a embarcação perto da ilha para impressionar a bailarina e hostess Domnica Cemortan, apontada como "caso" do ex-comandante. "A aproximação da ilha favorece o aspecto comercial. Várias vezes naveguei perto da ilha de Giglio", contou.

No entanto, o italiano confirmou que a mulher estava na cabine de comando na hora do acidente e ressaltou que, "geralmente, em cruzeiros, grupos de pessoas pedem para visitar a cabine e observar as operações de navegação". "No máximo, deixamos entrar uma dúzia de passageiros por vez", argumentou, explicando que se pagava entre 50 e 60 euros pela visita.

Questionado sobre a qualidade de sua visão, Schettino também contou que usa lentes de contato e frequenta um médico especialista duas vezes por ano.

Em seu interrogatório, o ex-comandante tentou fugir das acusações e apontar uma série de erros e omissões de seus suboficiais como o principal motivo do naufrágio. Ele disse, por exemplo, que não foi informado da proximidade da ilha de Giglio. "Ou somos todos camicazes, ou eles tinham medo de se comunicar, ou algum oficial mentiu para mim sobre a carta náutica", criticou.


O Costa Concordia naufragou em 13 de janeiro de 2012, após colidir com rochas da ilha de Giglio. A embarcação tombou e ficou encalhada no local até meados de 2014, quando pôde ser rebocada graças a uma complexa operação náutica.

A Procuradoria de Grosseto, por sua vez, pretende pedir mais de 20 anos de prisão a Schettino, de acordo com o procurador Francesco Verusio. / AP, AFP e REUTERS


 

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